É uma questão técnica, mas…

Com a morte de uma policial no Distrito Federal, dias atrás, os colegas começaram a discutir, além do terror que envolveu o crime, pois o marido da policial planejou uma vingança, segundo os jornais, a impossibilidade de resolver questões relativas ao patrulhamento e policiamento nas cidades, crescimento do crime, desgosto pelo serviço, desmotivação, enfim, uma morte gerou discussões em vários pontos, principalmente sobre a preparação individual dos colegas de serviço. Esse é um post polêmico.

Na verdade, o ponto inicial da discussão vai além, pois, não é somente um detalhe ligado a patrulhamento, etc. e sim, a todo o conjunto que envolve um policial, desde a sua chegada na Instituição até a aceitação do serviço prestado por ele à sociedade. O que fica latente em momentos de crise, de vulnerablidade.

Agora imaginem  o que deveriam te dizer em seu primeiro dia de serviço, ou melhor em seu primeiro dia na Instituição, imaginou? Quem deveria declarar estas palavras a você e seus colegas? Eu tenho comigo que deveria ser o Comandante Geral da Polícia. Por uma justificativa simples, ELE é o Comandante, só isso. Ele dita as regras gerais. Para evitar dissabores do tipo… todos sabem o que ouviram pela primeira vez.( Entraram por que quiseram e assim por diante).

Passado o tempo, saindo da escola de formação, cai a ficha, e a verdade das ruas, a rotina do serviço, mais os problemas políticos, operacionais, podem ao mesmo tempo, te empurrar para a frente ou te freiar, tem gente que fica doente. Vai de cada um encontrar nestes momentos a oportunidade para crescer ou se acomodar.

Com isso, as exigências técnicas da atividade policial vão necessitando de uma reciclagem ou de uma renovada. Uma boa conversa pode evitar ou mudar muita coisa, mas saber quem tem um bom papo, quando se está mal é uma tarefa complicada. Cabe mais aos amigos de verdade identificar isso e tentar ajudar. Quando digo amigo, não excluo superiores hierárquicos ou subordinados, no caso de superiores e vice-versa.

Fizemos um comparativo bem simples, de um policial e de um Bombeiro que realiza seus serviços em uma ambulância ou resgate. Esse comparativo originou-se na mesma discussão, sobre a morte da policial, onde o assunto chegou ao ponto nervoso da questão: TREINAMENTO!

Imagine você, policial, numa perseguição hollywoodiana, envolvendo-se num acidente em que sua viatura capota e seus colegas estão presos e feridos dentro da viatura. Feio né? Mas pode acontecer. Agora aquela velha pergunta, quem vai ser acionado para te ajudar? Os bombeiros!

Imagine agora se estes Bombeiros tivessem a mesma carga de treinamento e preparação que você recebeu na sua formação heim? Você provavelmente não sairia bem deste acidente, ou saiaria se voce for um privilegiado em termos de treinamento.

Este ponto sério da discussão surgiu porque tínhamos um Bombeiro na conversa e este ainda a inflamou mais ainda, dizendo que na Unidade dele não se admitia colega mal fardado, sujo ou banguela. Não se admitia bombeiro despreparado tecnicamente, pois nenhum deles gostaria de ter um familiar atendido por um profissional limitado, para colocar em risco a pessoa ou piorar um quadro que supostamente já é ruim.

Percebemos que a compra de determinados equipamentos exige treinamento específico, pois na falta dele, nas ocorrências, o próprio bombeiro pode morrer ou outras pessoas ou bombeiros mesmo podem perder a vida, devido a falta de preparação em utilizar determinado material. Com uma arma de fogo o mesmo deve ser considerado.

Terminamos a conversa pensando se poderíamos fazer o mesmo (na polícia). Na verdade poderíamos, mas chegamos ao um ponto comum. Os policiais, ou melhor as Instituições policiais geralmente toleram pessoas com condições técnicas ruins, o que é errado. Já basta um atendimento capado, onde uma viatura aparece somente para te dizer que você deve ir a uma delegacia para registrar um fato. Se for só isso, porque não me disseram por telefone quando solicitei a viatura? Tolera-se o ruim porque precisamos de número, de quantidade, será?

E por qual razão, não cobramos de nós ou  de nossos colegas, mais preparo? Será que a qualidade não seria melhor? É uma questão muito técnica, mas… quem precisa do serviço é que realmente vai sentir…na carne.

 

 

 

 

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About Carlos Melo

Especialista em Segurança Pública, formado pela Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB, 1997). Exerceu cargo na Polícia da ONU (UNPOL) na Missão das Nações Unidas em Timor Leste(UNMIT -2008 e 2009), onde trabalhou em ações de investigador. Instrutor de alguns cursos na PMDF, dentre estes, do Curso de Operações Especiais, especialista em técnicas e táticas de resgate de reféns, tiro policial e gerenciamento de crises. Também ministrou palestra vários organismos públicos e privados, sobre ameaças de bomba e seqüestro relâmpago. Especialização Inteligência Estratégica e segurança da informação.

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