Salário ou Carreira – Que escolha fazer?

Já dizia o velho ditado; dinheiro não traz felicidade, certo? Não sei não! Pode não trazer felicidade, mas ajuda a sofrer em Nova York ou em Bali, na Indonésia.

Acredito que estas premissas já não valem mais para a geração atual, pois percebe-se que nos concursos públicos a preocupação inicial são os salários. Os editais e as propagandas já estabelecem estes parâmetros e com isso podemos, sem dificuldades, prever o nível de concorrência.

Tenho colegas que estão estudando numa busca constante de mudar de emprego. Sim, estes ainda estão na polícia e tentam se convencer de que fora dela será melhor, mesmo que seja ganhando menos. Eu respeito isso, apesar de enxergar tudo com muitas ressalvas, ainda mais os que são casados e possuem filhos. Não vou tecer comentários sobre aposentadorias porque aos militares ainda restam algumas vantagens, e entre nós policiais, vingam alguns destes benefícios. Definir um teto para um policial velho e cheio de saúde é praticamente iniciar seu suicídio de forma lenta.

Na adolescência eu tive a oportunidade de seguir para as FFAA; declinei pois não me interessava mais morar fora de minha cidade, por razões específicas entre eu e minha Mãe. Só tenho esta e ela só tem(tinha) a mim. Hoje tem dois netos que valem por quatro. Além do mais, meus colegas estavam retornando das escolas militares para o CBMDF e para a PMDF. Assessorado por eles e motivado ainda pelo espírito aventureiro, digo, louco por emoções fortes, mudei meu rumo. Obviamente, nem tudo é uma maravilha, as dificuldades existem em todo lugar e apesar das dificuldades, sou satisfeito com a profissão. Tive sorte? Acredito que sim, muita sorte, pois numa época passada, meu colega disse-me que sairíamos da Briosa no Posto de Capitão. Passou.

Já estive a ponto de estudar para sair também, não nego isso de jeito algum, todo mundo tem seu direito a duvidar daquilo que deseja. Tracei um plano próprio, se chegasse ao Posto de Major eu não pensaria em sair mais. Recebi isso de um outro colega que era Soldado e que me falou que se fosse Sargento também não sairia mais. Hoje ele é Subtenente. Bom policial.

A decisão entre satisfação na carreira ou um bom salário vai depender de uma coisa muito simples: a sua capacidade. Simples não? creio que não! pois a melhora de sua capacidade, para que você possa conduzir seu ambiente e possa escolher o melhor serviço ou o melhor emprego, vai diretamente incidir em tempos de dedicação, tal qual um COEsp, exige sacrifício, abnegação e muita vontade de vencer, principalmente através dos estudos, para aqueles que ainda vislumbram concurso públicos. Muita gente quer ganhar bem, sem fazer força, de nenhuma forma.

Num primeiro momento eu escolhi a carreira; na época isso ainda era muito visado e sugerido, tal qual nos tempos de nossos pais. Atualmente a orientação aos jovens é meio nebulosa, pois o foco no dinheiro é muito grande, então, na maioria das vezes, o foco está nas profissões que remuneram na melhor quantia.

Se eu tivesse que escolher hoje o que fazer, eu definiria pelo salário e pela carreira, teria que avaliar. Quem não gosta de viajar, ter conforto e poder desfrutar de uma vida equilibrada? Mas sei que mesmo sendo o homem mais rico do mundo, uma boa cabeça não pode faltar, e é aqui que entra o segredo de tudo, o equilíbrio da cabeça, do corpo e da alma, na forma de um triângulo.

De toda forma, meus amigos de infância sabem que visto a camisa da minha Instituição, alguns até reclamavam, hoje não mais, pois enxergam esse sentimento de uma forma, digamos assim, necessária e importante, pois a partir do momento em que se perde o amor pelo que se faz, perde-se um sentido, um dos pontoe de equilíbrio que citei acima, e com isso, o sofrimento vem, o que é mal, à cabeça, ao corpo e à alma também.

Força e Honra!

Que a sociedade reconheça nosso valor e cobrem dos Governos a valorização do serviço policial.

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About Carlos Melo

Especialista em Segurança Pública, formado pela Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB, 1997). Exerceu cargo na Polícia da ONU (UNPOL) na Missão das Nações Unidas em Timor Leste(UNMIT -2008 e 2009), onde trabalhou em ações de investigador. Instrutor de alguns cursos na PMDF, dentre estes, do Curso de Operações Especiais, especialista em técnicas e táticas de resgate de reféns, tiro policial e gerenciamento de crises. Também ministrou palestra vários organismos públicos e privados, sobre ameaças de bomba e seqüestro relâmpago. Especialização Inteligência Estratégica e segurança da informação.

2 responses to “Salário ou Carreira – Que escolha fazer?”

  1. Bruno Berlanda says :

    Muito legal, Melo. Em Brasília não é difícil ver policiais insatisfeitos com a caserna, principalmente pq a tentação de outros concursos que pagam mais por menos ralação surge todos os anos. Isso só me confirma que vestir a farda precisa mais de vocação (ou desse espírito aventureiro que você falou) do que de necessidade de um emprego. No meu caso, eu desisti de ser PM no DF depois que fiquei sabendo o tempo que tá levando pra sair de soldado a cabo (me disseram que leva por volta de 15 anos). Como não vou esperar mais 5 anos pra fazer direito pra então esperar um concurso pra oficial e entrar no limite máximo da idade (estou com 22), vou tentar o oficialato em outros estados onde ainda pedem nível médio para entrar. Um pena, queria muito o COEsp daqui. Um abço, Melo!

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