Por que você pensa que o crime está em ascensão?

O Brasil passa por um período de inquietação sem precedentes, de caráter politico, econômica, educacional, na área da saúde, em outras áreas… mas em termos acadêmicos, sociais e até mesmo políticos (de novo), esses três últimos juntos, no campo da segurança pública especificamente, no trabalho policial, a discussão nunca vai acabar.

Com o passar dos anos, tem-se notado a mudança no perfil do policial e da Instituição, no resultado do trabalho policial e em suas ações. É notável a mudança de paradigmas e a dificuldade em manter um visão positiva sobre a Instituição policial e seus integrantes.

O texto traduzido é interessante porque mesmo se referindo a uma sociedade de outro país, percebe-se correlação direta das causas e efeitos: porque o crime no Brasil vem crescendo. Aliado a outros fatores não mencionados e existentes em nosso Brasil, tais como corrupção, cultura local e diferenças de todo o tipo, recomendo a leitura e observação dos pontos abaixo.

Esta é a visão particular de um policial americano* e suas avaliações para explicar o aumento do crime.

Vá e vença!

 

Tradução livre.

Extraído de: http://calibrepress.com/2016/01/why-do-you-think-crime-is-on-the-rise/ em 20 de janeiro de 2016.

Por que você acha que o crime está em ascensão?

Como o crime violento sobe em nossos centros urbanos, as respostas óbvias que iludem a elite que criou esta confusão trágica.

Há pouco mais de dois anos atrás, em agosto de 2013, eu escrevi um artigo que chamou a atenção, do público, dos especialistas, dos tipos de mídia, dos políticos e, especificamente, da American Civil Liberties Union sobre sua retórica negativa e incendiária da polícia em Nova York e a aplicação da lei em geral. Sua retórica histérica na época, visava a prática sancionada pelo tribunal, tratada como “parar e revistar”.

As elites estavam em pé de guerra sobre como a polícia estava usando essa tática em áreas de alta criminalidade, onde drogas e armas são predominantes. Alguns se referem à prática de inconstitucionalidade, enquanto outros rotulavam a polícia como uma moderna “gestapo” (a sádica polícia secreta da Alemanha nazista). E, claro, muitos acreditavam que a prática e a motivação reais do trabalho da polícia era baseado em racismo.

Bill DeBlasio (Candidato à prefeitura de Nova York) garantiu que ele iria frear a polícia e a tática do parar e revistar e que esta não ocorreria mais se ele fosse eleito prefeito de Nova York. E ele foi.

Parecia que ninguém mais queria em Nova York uma polícia pró-ativa.

Ninguém, exceto… muitos dos cidadãos que realmente viviam na Big Apple. Em outubro 2013, uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, revelou que a segurança pública foi o ponto mais alto nas mentes dos eleitores. Quando perguntaram o que era mais importante, manter as taxas de criminalidade para baixo ou mudar o esquema do parar e revistar, 62% disse que manter as taxas de criminalidade baixa era mais importante. Apenas 30% disseram que a reforma do parar e revistar deveria mudar.

Por quê?

Porque os cidadãos, especialmente aqueles que vivem em áreas de alta criminalidade, que presenciam o crime, o sofrimento e a dor infligida por criminosos e da lei e do mais fraco.

Para as pessoas que entendem sobre a “polícia ocupada” nos bairros, parar e revistar é uma prática da aplicação da lei que salva vidas.

Isto, obviamente, não importa para aqueles que não estão em risco. Eles continuarão a demonizar a polícia. Então eu ofereci uma solução sobre como eliminar as queixas sobre a polícia. O que toda a polícia tinha a fazer era: parar de trabalhar!

Nesse artigo eu tentei explicar para os próprios policiais, que não haveria nenhuma desvantagem para esta alteração tática.

Mais uma vez: por quê?

Porque: Os policiais não vão ser demitidos por não fazer, eles serão demitidos por fazer.

Policiais sabem que não há praticamente nenhum risco de ser demitido por um processo de trabalho ruim e inatividade durante um período de dez anos. O risco para a rescisão disciplinar seja, talvez, em ser pró-ativo.

A maioria dos cidadãos não sabe disso, mas existem leis baseadas em regras, na maioria dos estados, que proíbem os supervisores da polícia de estabelecer quotas a serem cumpridas. Em outras palavras, você não pode legalmente fazer policiais escrever multas e parar pessoas suspeitas.

Policiais de todo este país sabem muito bem que, se eles simplesmente responderem a chamadas do 911, dirigir a viatura por aí sem rumo em suas de patrulhas de rotina e evitar a atividade auto-iniciada, eles ainda vão receber o pagamento. Que inferno, e com essa filosofia ainda pode ser promovido!

Bem, muita coisa aconteceu desde o verão de 2013 – Ferguson, Eric Garner, Baltimore e Freddie Gray, a mídia reagiu e os policiais também.

Durante os últimos 6-8 meses, houve um debate sobre – Se esta filosofia de parar de trabalhar realmente está acontecendo: Alguns policiais estavam tornando a abordagem menos pró-ativa?

Um aumento da criminalidade

O que sabemos é isto. Taxas de crimes violentos estão em alta em muitas das grandes cidades: 13% em Los Angeles em relação ao ano passado; homicídios são até 54%, em Washington, DC, em 2015; e Baltimore? Essa cidade é a mais mortal que existiu… É um banho de sangue, um banho de sangue cruel entre os centros urbanos da América. Tem alguma coisa a ver com policiais ignorando as pessoas suspeitas e as atividades questionáveis?

Claro que não.

Eu vivo fora de Chicago, uma cidade que viu cerca de 3.000 pessoas feridas a tiro no ano passado, 470 dos quais fatalmente. É a pior marca em anos. Tenho conversado com policiais, incluindo supervisores em dois subúrbios de Chicago, bem como na cidade de Chicago, e o que eu estou ouvindo é que eu me tornei um profeta há um ano e meio atrás.

Illinois aprovou uma série de leis sob o título: Relações entre Polícia e Comunidade.

Deveria ter sido intitulado: Na Polícia todos são maus, nós sabemos, portanto, vamos culpá-los por tudo e eliminar qualquer desejo neles para ser proativo.

Mas isso seria questão de tempo, eu acho.

Um supervisor de um departamento suburbano me enviou um guia de treinamento de 30 páginas, que ensina policiais sobre as novas leis e sobre como conduzir uma abordagem de investigação. Exige que se justifique por escrito, no local e à pessoa parada:

  • Por que eles achavam que a pessoa estava com um comportamento suspeito.
  • Se eles realizassem uma revista, eles tem que explicar não apenas porque eles achavam que o sujeito pudesse estar em posse de uma arma (como exigido pela jurisprudência), mas por que o policial pensou que ele, ela ou os outros poderiam tornar-se uma vítima de um ataque iminente da pessoa que está sendo abordada.

Em seguida, após a abordagem, os policiais têm de dar à pessoa que foi parada um recibo com todas as informações sobre ele (sobre o policial) junto com um número de telefone para chamar, caso desejassem reclamar sobre o policial.

Então, não estou brincando, os policiais tem de preencher um formulário para o Departamento de Transportes de Illinois com as seguintes informações sobre ele:

  • O gênero e determinação subjetiva sobre a raça da pessoa abordada.
  • Raça do suspeito serão selecionadas na seguinte lista: indiano ou Alaska nativo americano, asiático, preto ou Africano americanos, hispânicos ou latinos, nativo do Havaí ou de outras ilhas do Pacífico ou branca;
  • Todas as razões que levaram à abordagem;
  • A data e a hora da abordagem;
  • O local da abordagem;
  • Se foi feita ou não, uma revista em caráter de proteção, todas as supostas razões que levaram à abordagem e se esta revista foi realizada com o consentimento ou por outros meios; e;

– Estou Cansado de digitar. Mas existem mais cinco destes pontos hifenizados.

Então eu perguntei a este comandante quantos destes cartões foram concluídos nos primeiros 14 dias de 2016. Sua resposta?

“Um.”

E então ele riu e disse: “Eu não estou esperando muito mais.”

“A lei, desde o ano passado é que não podemos fazer policiais escrever multas. Podemos obriga-los a fazer um certo número de abordagens de trânsito, mas não podemos lhes dizer para fazer cumprir as leis de trânsito quando eles param o motorista. “

Ele admitiu que a quantidade das multas eram significativamente menor, mas ele disse que não é apenas por causa da lei que os proíbe de fazê-los escrever multas, é por causa do clima político. Ele disse: “Toda denúncia torna-se um inquérito interno, que é um problema no registro do policial. E é uma porcaria para quem vai investigar a denúncia. Assim, o incentivo para ser pró-ativo está desaparecendo. “

Na cidade de Chicago até agora em 2016, o número de abordagens está abaixo cerca de 80 por cento em comparação ao ano passado.

De acordo com um artigo escrito por Mark Konkol, em 13 de janeiro: “Também tem havido um declínio de 37 por cento em prisões por arma de fogo e uma diminuição de 35 por cento em apreensões de armas em comparação com o ano passado …”

“Enquanto isso, houve mais de 72 disparos (um aumento de 218 por cento) e mais 10 assassinatos (um aumento de 125 por cento) do que durante o mesmo período no ano passado …”

Você acha que pode haver uma correlação entre o exagero da mídia, a resposta política, ausência de atitude do policial e o aumento no crime?

Finalmente, eu falei com um policial novato, muito agressivo, inteligente e motivado em um subúrbio de Chicago. Aqui está o seu pensamento:

“A mesma coisa está acontecendo em nosso departamento. Só temos alguns policiais que andam em carros de dois homens dentro do terreno. Eles foram identificados como sendo os agentes mais agressivos/proativos que temos e estou honrado por ter sido escolhido para trabalhar com esse grupo. Mas a verdade é que estamos a fazer menos. “

“Os policiais não chamam no rádio a maior parte de abordagens de trânsito na rua, porque eles não querem preencher esses relatórios de abordagem ou preencher duas páginas de papelada só porque eles achavam que deveriam falar com alguém que estava agindo de maneira suspeita,” ele disse. “Inferno, nos gasta metade da nossa noite na estação de trabalho só preenchendo esta papelada. Nós até temos que entregar às pessoas, recibos, após a abordagem, com o nosso nome, números de matrícula e números de telefone, para que eles possam reclamar depois, caso estejam insatisfeitos.

Como é esse trabalho?

“Temos recebido reclamações sem noção, mas os chefes, mesmo assim, ainda tem que nos investigar. Alguns policiais pensam que não vale a pena arriscar seu emprego, muitos simplesmente pararam. E não há nada que o supervisor possa fazer sobre isso. “

E este é agora o triste estado das coisas neste país.

Conclusão

A fim de ter um protagonista tem de haver um antagonista. Neste triste estado de coisas, os policiais são os maus e os criminosos são as vítimas.

Todos, desde o presidente ao editor local do jornal local cita a verdade sobre o crime: É assim desde 1990. Até agora.

Mas você pode descobrir por que? Porque há um número recorde de bandidos na prisão.

Agora queremos deixar essas almas incompreensivelmente perdidas de fora e, ao mesmo tempo, estamos a demonizar e algemar a polícia.

O que você acha, qual será o resultado final para a sociedade?

Bem, Senhoras e Senhores, estamos prestes a descobrir.

* Jim Glennon

Lt. Jim Glennon (ret.) is the owner and lead instructor for Calibre Press. He is a third-generation LEO, retired from the Lombard, Ill. PD after 29 years of service. Rising to the rank of lieutenant, he commanded both patrol and the Investigations Unit. In 1998, he was selected as the first Commander of Investigations for the newly formed DuPage County Major Crimes (Homicide) Task Force. He has a BA in Psychology, a Masters in Law Enforcement Justice Administration, is the author of the book Arresting Communication: Essential Interaction Skills for Law Enforcement.

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About Carlos Melo

Especialista em Segurança Pública, formado pela Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB, 1997). Exerceu cargo na Polícia da ONU (UNPOL) na Missão das Nações Unidas em Timor Leste(UNMIT -2008 e 2009), onde trabalhou em ações de investigador. Instrutor de alguns cursos na PMDF, dentre estes, do Curso de Operações Especiais, especialista em técnicas e táticas de resgate de reféns, tiro policial e gerenciamento de crises. Também ministrou palestra vários organismos públicos e privados, sobre ameaças de bomba e seqüestro relâmpago. Especialização Inteligência Estratégica e segurança da informação.

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