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Ocorrência com facas…de novo!

Entenda!

Este texto, muito curto, tem por objetivo apenas mostrar que diante de uma faca, numa ocorrência, a prioridade de emprego deve ser do equipamento que oferece incapacitação imediata. Não vou entrar em detalhes se arma de fogo ou equipamento elétrico de incapacitação (tipo taser, spark ou outras), incapacite a reação imediatamente.

Uma certeza eu tenho. Se você for partir para as técnicas de defesa pessoal, provavelmente vai se machucar.

Eu explico:

Diferente dos treinos a dois em tatame, como nos cursos de defesa pessoal, este oponente de rua, com faca numa das mãos,  não vai se submeter à aplicação da imobilização imediatamente, como seu colega faz nos treinos de academia. Ele (o oponente) quer de qualquer forma acabar com você e te lascar de todo o jeito, então não se iluda, de que aquela chave de braço, fácil de aplicar no tatame ou vista no youtube irá funcionar perfeitamente, porque não vai.

Observe o vídeo abaixo. Ele menciona a regra dos 7 pés de distância(7 ft). que correspondem a apenas 2 metros de distância, abaixo dela, o risco é elevadíssimo. Acima dela, ainda é possível sacar sua arma, mas ainda há a possibilidade ainda de se machucar, mesmo se o disparo for suficiente para neutralizar a ação do oponente. A coisa piora em ambientes confinados, observe o vídeo e a cada visualização sua percepção vai mudar.

Este vídeo também serve de alerta a cidadãos comuns, que estejam portando armas legalmente.

Força e Honra!

http://www.youtube.com/watch?v=J_KJ1R2PCMM

 

Perseguições policiais a pé.

Na cidade do Paranoá, aqui no DF mesmo, estávamos patrulhando, em viatura, guarnição com quatro policiais, um tático do PATAMO. Numa esquina, três pessoas, tarde da noite, decidimos abordar.

Até aqui tudo bem. E durante a busca, encontramos três latas de merla no tênis de um deles, o meu colega virou,  com a cara de espanto:

– Olha o que eu achei!

Eu pensei comigo, de onde esse PM saiu? nunca viu merla na vida?

Na continuação, só vi os três correndo, um para cada lado, ainda consegui passar as mãos pelos cabelos de um deles, o que estava com a droga no tênis, mas não foi o suficiente para pará-lo.

Prendemos apenas um, numa operação de guerra com várias equipes para cercar um conjunto habitacional; essa ocorrência ainda me rendeu uma sindicância, devido a um portão que foi escangalhado nesta noite, obviamente por alguém desesperado. Mas a discussão agora seguirá em torno de perseguições à pé, pois neste dia, eu corri, mas corri, mais do que pude, mas fui barrado por um portão, onde os moradores não me deixaram entrar, ainda me empurrando no peito, atrasando minha prisão. Esta era uma área ruim, me controlei. Voltei ao rádio da viatura, pois não tínhamos rádios portáteis, solicitei apoio, cercamos a quadra e prendemos apenas um. Mas fica a dica, achou algo errado, manda ajoelhar, como eu fiquei chateado este dia.

Policiais na rua, o quê fazer quando o suspeito descamba a correr na hora da abordagem? O que fazer quando tomar aquele olé durante uma perseguição à pé?.

Veja o vídeo:

O vídeo é uma montagem, mas ilustra muito bem o que vamos descrever adiante.

Segue aqui alguns procedimentos que devem ser seguidos nestes casos.

a) Tente antecipar o que o suspeito pretende fazer, eu sei, de repente, uma bola de cristal na viatura iria ajudar, mas…, use seus instintos de policial, a linguagem corporal pode lhe dizer algo, tente se antecipar ao que o suspeito vai fazer.

Por exemplo, o suspeito começa a olhar ao redor, como que procurando rotas de fuga, levantando as calças, que geralmente são lá embaixo, alongando-se ainda, abrindo a porta do carro durante uma perseguição do veículo, etc.

b) Comunique sua posição antes mesmo de iniciar a abordagem, ou ainda na sua iminência de contato com o suspeito, pois se a perseguição iniciar, seus amigos já sabem onde você se encontra e para onde devem seguir, numa direção aproximada.

Quando o suspeito foge, você deve tomar  uma decisão de forma rápida, ir atrás ou não, certo?

Se você está abordando mais de um suspeito e apenas um deles foge, o que não foi o meu caso(droga!), não acredite que estes que ficaram vão te esperar caso vocês decidam perseguir o fugitivo, é melhor segurar o que se tem e informar a outras unidades das caraterísticas daquele que fugiu e sua direção, para que seja providenciado um perímetro(que foi o que fizemos). Mesmo que o fugitivo escape, você ainda tem os comparsas para realizar certos questionamentos, sendo isto um ponto de início para identificá-lo e  conhecer as razões da fuga.

c) Se o seu suspeito foge, você precisa imediatamente avisar o centro de operações, certo? Mas leve em conta que esta informação, de que você iniciou ou está por iniciar uma perseguição à pé, tenha informações suficientes do seu local, direção que está seguindo, além de outros detalhes, porque depois disso, será difícil conseguir uma brecha na rede de rádio para fornecer qualquer outra informação complementar, seus amigos estarão, neste tempo, solicitando a repetição de sua localização inicial e as características do suspeito fujão. Além do mais, diga se o suspeito está armado, suas características e as razões da abordagem inclusive.

É muito mais fácil fornecer as descrições do suspeito em fuga quando você ainda está bem! O que quero dizer; você ainda não está cansado devido a corrida da perseguição. Se possível, durante a perseguição, atualize sua posição e condições da situação ao centro de operações.

Quando você decide perseguir alguém, você deve ter um plano para isso, aliás, toda ação policial. No exemplo mais complexo, imagine-se numa área isolada, onde o apoio ainda não chegou, mas você alcançou e imobilizou o fugitivo, para piorar, você ainda está longe da sua viatura, bom né?

Então, dependendo do seu grau de preparação física, provavelmente você estará sem fôlego e exausto, espero que não tenha que lutar ainda, mas entenda o seguinte, o seu apoio vai naturalmente encontrar dificuldades de localizá-lo, ocasionando um atraso na chegada desse apoio.

d) Durante uma perseguição à pé você tem que se comportar de forma imprevisível, não deixe o suspeito criar uma emboscada para você, nem colabore de forma que isso aconteça.

e) E para que isso não aconteça, ser emboscado, evite seguir a mesma trilha do fugitivo, seja cauteloso toda vez que perder o fugitivo de vista, mesmo ainda que isso signifique abrir uma certa distância ou ir mais devagar, principalmente saltando cercas, muros, dobrando esquinas em diferentes momentos.

f) Se você está quase perto de seu suspeito, mas você ainda teve de dobrar uma esquina, pular uma cerca, etc., dê uma rápida respirada e olhe ao redor 360 graus, pois nesta hora é uma boa situação para que o suspeito esteja escondido. É extremamente importante, neste momento, que uma emboscada esteja iminente.

g) Se você observar o fugitivo no momento em que ele se esconde, a melhor pedida é esperar pelo seu apoio chegar, antes de tentar prendê-lo.

Quando o suspeito perceber que foi visto, provavelmente tentará fugir de novo, então, porque não esperar pelo seu apoio nesta hora, ainda mais se sua área tiver cães à disposição para este trabalho.

h) No caso dos cães, é necessário parar realmente, para não “contaminar” a área e tornar o trabalho para o cães mais difícil ou impossível, “sujando“ a trilha do fugitivo. Um bom isolamento do local deve ser providenciado para o caso de emprego de cães.

i) No caso ainda de perceber que não será possível prender o suspeito nessa perseguição a pé, é necessário providenciar uma estratégia de contenção. Pare de correr assim que perdê-lo de vista e oriente as unidades para a realização e estabelecimento do perímetro de isolamento.

A melhor chance de capturar o fugitivo neste ponto é manter o isolamento e forçá-lo a se esconder, ao invés de fugir correndo. A primeira equipe que chegar deve te localizar e providenciar a devida cobertura/apoio. As demais equipes, em viaturas, devem manter suas luzes de emergência ligadas durante o patrulhamento na área, para dar a impressão de que várias delas estão na área.

j) As viaturas devem se deslocar devagar, para que seja possível enxergar entre árvores e casas, lembrando, luzes de emergência acesas. Este procedimento afeta psicologicamente o fugitivo e ajuda, no que seria a ideia inicial de evitar que o mesmo continue correndo, enquanto você espera pela equipe de busca ou ainda pela equipe que conduz os cães.

Se a unidade de cães vai atender esta situação, será necessário apresentar alguns dados:

–       O local exato onde você viu pela última vez o suspeito, isso não quer dizer o primeiro local onde a perseguição se iniciou. O condutor do cão precisa conduzir o cão exatamente neste local, para que o animal busque a trilha e inicie a busca;

–       Os cães podem e tem a habilidade de discriminar diferentes odores, com isso o condutor direciona o cão e seguir a trilha do fugitivo, evitando assim, o cruzamento com outras trilhas, de policiais, por exemplo. Esta é uma das razões pelo qual não devemos cruzar/andar pela área, até a chegada do cães.

–       Caso aconteça de andar pela área, informe o condutor dos cães;

–       Informe o tipo de crime, ou situações em que o suspeito esteja envolvido. O cão ainda poderá ser solto para morder o suspeito, caso seja necessário(uso moderado da força, entendo assim).

No caso de ter deixado para trás, outros suspeitos, carros, objetos, etc., um policial deve ficar encarregado de investigar estes materiais, para conhecer mais sobre o fugitivo e prováveis rotas de fuga, com estes materiais torna-se muito mais fácil. Se a identidade do suspeito for estabelecida, o histórico criminal pode ser determinado, bem como suas tendências criminais.

Sem equipe de cães será necessário estabelecer uma equipe de buscas. Tenha certeza da eficiência da sua equipe de cobertura antes mesmo de começar a busca onde quer que seja. Sem cães, será necessário realizar uma busca sistemática e organizada em todos os locais que potencialmente possam ser considerados como esconderijos.

Em Brasília, a Unidade de Cães possui animais exclusivamente treinados em busca e captura. As unidade de área conhecem o trabalho e solicitam através do centro de operações o emprego desta equipe.

O emprego de helicópteros, para quem tem ainda, vai tornar o trabalho mais fácil ainda, além do que, mais seguro. Se sua polícia não possui, solicite de uma que possui, fácil!

O mais importante de tudo ainda é entender e conhecer as suas responsabilidades como membro de uma equipe de buscas, seja a pé ou com emprego de cães, patrulheiro ou empregando uma aeronave, e caso seja algo novo para você, não se sinta envergonhado em perguntar.

Este texto, com certeza não encerrou a lista de procedimentos para este tipo de situação, mas temos aqui algumas ideias que podem ser seguidas, para aumento da segurança no trabalho e tornar as ações numa perseguição à pé mais eficientes.

Força e Honra!

Para saber mais:

http://findarticles.com/p/articles/mi_m2194/is_5_69/ai_63016004/

– Escrito em dispositivo móvel(Tablet), favor desconsiderar os erros de digitação!

Perseguição ou acompanhamento?

O objetivo deste tópico é discutir algumas manobras para interrupção de veículo em fuga, principalmente numa matéria que quase não existe nas unidade policiais do Brasil, temos exceções, que é o treinamento em direção veicular de alto risco. Os cursos que existem são particulares e estas técnicas não são assim, tão conhecidas ou reconhecidas nas instituições policiais como forma de solucionar determinados problemas.

A manobra PIT(em inglês) é um método onde um carro perseguindo outro veículo força este veículo de forma abrupta, obrigando-o a fazer uma volta em torno de seu eixo, causando no condutor perda do controle do veículo e por consequência, sua parada.

O acrônimo PIT possui uma série de significados diferentes, dependendo da instituição que a emprega ou escola que a ensina. As mais comum são: a técnica de imobilização precisa(TIP), técnica de imobilização em perseguição, técnica de intervenção em perseguição, empurrão(!!), técnica de imobilização paralela(gosto mais desta), intervenção tática de precisão. Obviamente, todas elas traduzidas do inglês.

Em cada caso, o significado é claro, não interessa o nome que a técnica recebeu. Outros nomes para a mesma técnica também existem, sob a forma de variantes, tais como: Intervenção tática em veículos(TVI – tactical vehicle intervention); Tactical ramming(parecido com “martelada em veículo), legal intervention(intervenção legal) e fishtailing(pescando pelo rabo).

Todos são considerados métodos usados  para parar veículos durante uma perseguição de forma mais segura. Outros métodos de finalizar uma perserguição incluem o uso das chamadas técnicas de parada e contenção(TPC). Em alguns países é equiparado ao uso letal da força.

A manobra PIT foi originalmente popularizada pelos idos dos anos 70, onde uma renomada escola de direção veicular, chamada BSR Incorporated(http://www.bsr-inc.com/), inseriu no seu curso avançado de direção em Summit Point, West Virgina a nova técnica, trazida da Alemanha por Tom Milner, um dos proprietários da BSR naquela época.

A técnica era utilizada pela Polícia alemã e foi traduzida de um livro alemão chamado The Hunter and the Hunted (http://www.amazon.com/Hunters-Hunted-Non-Linear-Reengineering-Leadership/dp/1563270439).

A manobra ganhou popularidade durante os anos 90 e a técnica foi refinada para reduzir a violência durante a colisão(chamada de “martelada“, chamada assim devido as variações anteriores).

As corridas de velocidade tem uma forte influência sobre esta técnica, as chamadas Bump(bater) and run(fugir), é uma antecessora da técnica.

A primeira instituição policial americana a utilizar e ensinar a manobra PIT como técnica de parada para veículos em perseguição foi o Fairfax County Police Department, do estado de Virgínia, que modificou os parâmetros para inicialização e execução de técnica utilizada então pelos policiais. Terry Pearson and Joseph McDowell forma os primeiros policiais a incorporar a ténica em treinamentos.

A manobra PIT é uma opção intermediária do uso da força para, de forma segura, finalizar uma perseguição. As viaturas possuem um párachoque reforçado para suportar a aplicação da técnica.

Procedimento

Como realizar a manobra PIT

A manobra começa com a o alinhamento paralelo da viatura com o veículo que está em fugalado a lado), onde as rodas dianteiras da viatura alinham-se com as rodas traseira do outro carro.

Alinhamento

O condutor da viatura, gentilmente(não é brincadeira!), encosta a viatura no carro em fuga, sem perder o alinhamento das rodas e continua a girar a direção para o lado em que encontra-se o alvo.

Pressão na lateral, giro do volante

Assim que o outro carro perde contato com o solo, o motorista da viatura deve realizar uma frenagem e rapidamente continuar com o giro da direção, na mesma direção do veículo perseguido,  até ficar limpo do alvo.

Perda de contato com o solo

O alvo irá girar na direção oposta em frente à viatura de forma agressiva, podendo ainda sair da pista.

Técnica completa

Tipicamente, outra viatura vai proceder na prisão do condutor daquele carro, enquanto que o policial da viatura principal recupera a direção da viatura que realizaou a manobra.

Procedimento Padrão

A manobra não é aplicável em todas as situações. Basicamente, a regra é não aplicar a manobra numa velocidade maior que 55 km/h. O uso efetivo requer escolha sistemática do local para aplicação da técnica, bem como as considerações sobre o trânsito e pedestres, devido às consequências e risco à vida para todos. Alguns departamentos limitam o uso desta técnica somente para os eventos de alto risco, outros definem que a manobra deverá ser empregada para parar veículos em perseguições que estejam em situações de perigo constante.

Quando possível, com um mínimo de três viaturas, a manobra pode ser executada: um como o executor da manobra e as outras duas viaturas, a uma distância razoável, para reagir aos resultados.

A manonbra é extremamente perigosa, quando empregada em veículos com párachoques de diferentes tamanhos ou contra veículos com um centro de gravidade alto, tais como as vans ou utilitários esportivos(SUV).

Alguns países não permitem o uso desta técnica, de forma expressiva, como a Inglaterra, já no Brasil, bem, nem que sim, nem que não. A permissão varia com o resultado ou com a causa, ou seja, depende da conveniência.

Vamos rir um pouco

Técnicas de perseguição e contenção(TPC)

Aliado à nossa dificuldade de conduzir nosso trabalho policial no Brasil, ainda temos aqueles que consideram que não devemos perseguir e sim, acompanhar veículos em fuga.

Eu acompanho a minha esposa, minha filha, família, mãe, amigos numa festa, num passeio e assim por diante. Bandidos em fuga serão perseguidos, com a devida agressividade técnica que a palavra merece, para que seja reduzida a capacidade de reação destes marginais em fuga.

TPC é um termo usado para descrever treinamento e técnicas que tem por objetivo conter veículos me fuga, utilizando bloqueior e Estrada, camas de faquir e outros métodos práticos. Atirar não é uma opção comum, principalmente quando se está na viatura que persegue outro carro.

As TPC são mais efetivas em locais separados de grandes movimento, não são aplicáveis em interseções de rodovias, vias de mão dupla ou ainda em vias de deslocamento com muitas faixas, onde uma curva em U(U-Turn), possibilitaria uma fuga cinematográfica. Veja o video, mesmo numa via estreita, o show!

Em algumas situações, conter o tráfego de veículos também é uma forma de controlar a fuga de um carro qualquer. Ao alcançar o conjunto de carros, o fugitivo é obrigado a parar ou diminuir a velocidade. O contrário também pode ser feito, para que numa zona estéril de veículos, utilize-se de técnicas mais contundentes para parar o fugitivo, como a manobra PIT.

Nosso país não estabelece regras para estes casos, ficando ainda a questão da razoabilidade para lidar com estes problemas. Tive dois amigos que perderam a vida em perseguições, um ficou limitado e não pôde continuar na atividade policial.

A ausência de carros adaptados, regras firmes e claras para este tipo de situações são ausentes, quem paga um preço caro é o cidadão, que deveria usufruir de um bom aparato policial, mas o policial também  paga, com a impossibilidade de solucionar problemas que até então, poderiam ser resolvidos, da forma mais simples, desde que as ferramentas certas estivessem ao nosso alcance.

Força e Honra!

Fontes:

http://www.supremecourtus.gov/opinions/06slipopinion.html

http://jianbolu.tripod.com/paper/DSCC2008-2183.pdf

http://www.policedriving.com/article57.htm

http://en.academic.ru/dic.nsf/enwiki/327200

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