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Por que você pensa que o crime está em ascensão?

O Brasil passa por um período de inquietação sem precedentes, de caráter politico, econômica, educacional, na área da saúde, em outras áreas… mas em termos acadêmicos, sociais e até mesmo políticos (de novo), esses três últimos juntos, no campo da segurança pública especificamente, no trabalho policial, a discussão nunca vai acabar.

Com o passar dos anos, tem-se notado a mudança no perfil do policial e da Instituição, no resultado do trabalho policial e em suas ações. É notável a mudança de paradigmas e a dificuldade em manter um visão positiva sobre a Instituição policial e seus integrantes.

O texto traduzido é interessante porque mesmo se referindo a uma sociedade de outro país, percebe-se correlação direta das causas e efeitos: porque o crime no Brasil vem crescendo. Aliado a outros fatores não mencionados e existentes em nosso Brasil, tais como corrupção, cultura local e diferenças de todo o tipo, recomendo a leitura e observação dos pontos abaixo.

Esta é a visão particular de um policial americano* e suas avaliações para explicar o aumento do crime.

Vá e vença!

 

Tradução livre.

Extraído de: http://calibrepress.com/2016/01/why-do-you-think-crime-is-on-the-rise/ em 20 de janeiro de 2016.

Por que você acha que o crime está em ascensão?

Como o crime violento sobe em nossos centros urbanos, as respostas óbvias que iludem a elite que criou esta confusão trágica.

Há pouco mais de dois anos atrás, em agosto de 2013, eu escrevi um artigo que chamou a atenção, do público, dos especialistas, dos tipos de mídia, dos políticos e, especificamente, da American Civil Liberties Union sobre sua retórica negativa e incendiária da polícia em Nova York e a aplicação da lei em geral. Sua retórica histérica na época, visava a prática sancionada pelo tribunal, tratada como “parar e revistar”.

As elites estavam em pé de guerra sobre como a polícia estava usando essa tática em áreas de alta criminalidade, onde drogas e armas são predominantes. Alguns se referem à prática de inconstitucionalidade, enquanto outros rotulavam a polícia como uma moderna “gestapo” (a sádica polícia secreta da Alemanha nazista). E, claro, muitos acreditavam que a prática e a motivação reais do trabalho da polícia era baseado em racismo.

Bill DeBlasio (Candidato à prefeitura de Nova York) garantiu que ele iria frear a polícia e a tática do parar e revistar e que esta não ocorreria mais se ele fosse eleito prefeito de Nova York. E ele foi.

Parecia que ninguém mais queria em Nova York uma polícia pró-ativa.

Ninguém, exceto… muitos dos cidadãos que realmente viviam na Big Apple. Em outubro 2013, uma pesquisa da Universidade Quinnipiac, revelou que a segurança pública foi o ponto mais alto nas mentes dos eleitores. Quando perguntaram o que era mais importante, manter as taxas de criminalidade para baixo ou mudar o esquema do parar e revistar, 62% disse que manter as taxas de criminalidade baixa era mais importante. Apenas 30% disseram que a reforma do parar e revistar deveria mudar.

Por quê?

Porque os cidadãos, especialmente aqueles que vivem em áreas de alta criminalidade, que presenciam o crime, o sofrimento e a dor infligida por criminosos e da lei e do mais fraco.

Para as pessoas que entendem sobre a “polícia ocupada” nos bairros, parar e revistar é uma prática da aplicação da lei que salva vidas.

Isto, obviamente, não importa para aqueles que não estão em risco. Eles continuarão a demonizar a polícia. Então eu ofereci uma solução sobre como eliminar as queixas sobre a polícia. O que toda a polícia tinha a fazer era: parar de trabalhar!

Nesse artigo eu tentei explicar para os próprios policiais, que não haveria nenhuma desvantagem para esta alteração tática.

Mais uma vez: por quê?

Porque: Os policiais não vão ser demitidos por não fazer, eles serão demitidos por fazer.

Policiais sabem que não há praticamente nenhum risco de ser demitido por um processo de trabalho ruim e inatividade durante um período de dez anos. O risco para a rescisão disciplinar seja, talvez, em ser pró-ativo.

A maioria dos cidadãos não sabe disso, mas existem leis baseadas em regras, na maioria dos estados, que proíbem os supervisores da polícia de estabelecer quotas a serem cumpridas. Em outras palavras, você não pode legalmente fazer policiais escrever multas e parar pessoas suspeitas.

Policiais de todo este país sabem muito bem que, se eles simplesmente responderem a chamadas do 911, dirigir a viatura por aí sem rumo em suas de patrulhas de rotina e evitar a atividade auto-iniciada, eles ainda vão receber o pagamento. Que inferno, e com essa filosofia ainda pode ser promovido!

Bem, muita coisa aconteceu desde o verão de 2013 – Ferguson, Eric Garner, Baltimore e Freddie Gray, a mídia reagiu e os policiais também.

Durante os últimos 6-8 meses, houve um debate sobre – Se esta filosofia de parar de trabalhar realmente está acontecendo: Alguns policiais estavam tornando a abordagem menos pró-ativa?

Um aumento da criminalidade

O que sabemos é isto. Taxas de crimes violentos estão em alta em muitas das grandes cidades: 13% em Los Angeles em relação ao ano passado; homicídios são até 54%, em Washington, DC, em 2015; e Baltimore? Essa cidade é a mais mortal que existiu… É um banho de sangue, um banho de sangue cruel entre os centros urbanos da América. Tem alguma coisa a ver com policiais ignorando as pessoas suspeitas e as atividades questionáveis?

Claro que não.

Eu vivo fora de Chicago, uma cidade que viu cerca de 3.000 pessoas feridas a tiro no ano passado, 470 dos quais fatalmente. É a pior marca em anos. Tenho conversado com policiais, incluindo supervisores em dois subúrbios de Chicago, bem como na cidade de Chicago, e o que eu estou ouvindo é que eu me tornei um profeta há um ano e meio atrás.

Illinois aprovou uma série de leis sob o título: Relações entre Polícia e Comunidade.

Deveria ter sido intitulado: Na Polícia todos são maus, nós sabemos, portanto, vamos culpá-los por tudo e eliminar qualquer desejo neles para ser proativo.

Mas isso seria questão de tempo, eu acho.

Um supervisor de um departamento suburbano me enviou um guia de treinamento de 30 páginas, que ensina policiais sobre as novas leis e sobre como conduzir uma abordagem de investigação. Exige que se justifique por escrito, no local e à pessoa parada:

  • Por que eles achavam que a pessoa estava com um comportamento suspeito.
  • Se eles realizassem uma revista, eles tem que explicar não apenas porque eles achavam que o sujeito pudesse estar em posse de uma arma (como exigido pela jurisprudência), mas por que o policial pensou que ele, ela ou os outros poderiam tornar-se uma vítima de um ataque iminente da pessoa que está sendo abordada.

Em seguida, após a abordagem, os policiais têm de dar à pessoa que foi parada um recibo com todas as informações sobre ele (sobre o policial) junto com um número de telefone para chamar, caso desejassem reclamar sobre o policial.

Então, não estou brincando, os policiais tem de preencher um formulário para o Departamento de Transportes de Illinois com as seguintes informações sobre ele:

  • O gênero e determinação subjetiva sobre a raça da pessoa abordada.
  • Raça do suspeito serão selecionadas na seguinte lista: indiano ou Alaska nativo americano, asiático, preto ou Africano americanos, hispânicos ou latinos, nativo do Havaí ou de outras ilhas do Pacífico ou branca;
  • Todas as razões que levaram à abordagem;
  • A data e a hora da abordagem;
  • O local da abordagem;
  • Se foi feita ou não, uma revista em caráter de proteção, todas as supostas razões que levaram à abordagem e se esta revista foi realizada com o consentimento ou por outros meios; e;

– Estou Cansado de digitar. Mas existem mais cinco destes pontos hifenizados.

Então eu perguntei a este comandante quantos destes cartões foram concluídos nos primeiros 14 dias de 2016. Sua resposta?

“Um.”

E então ele riu e disse: “Eu não estou esperando muito mais.”

“A lei, desde o ano passado é que não podemos fazer policiais escrever multas. Podemos obriga-los a fazer um certo número de abordagens de trânsito, mas não podemos lhes dizer para fazer cumprir as leis de trânsito quando eles param o motorista. “

Ele admitiu que a quantidade das multas eram significativamente menor, mas ele disse que não é apenas por causa da lei que os proíbe de fazê-los escrever multas, é por causa do clima político. Ele disse: “Toda denúncia torna-se um inquérito interno, que é um problema no registro do policial. E é uma porcaria para quem vai investigar a denúncia. Assim, o incentivo para ser pró-ativo está desaparecendo. “

Na cidade de Chicago até agora em 2016, o número de abordagens está abaixo cerca de 80 por cento em comparação ao ano passado.

De acordo com um artigo escrito por Mark Konkol, em 13 de janeiro: “Também tem havido um declínio de 37 por cento em prisões por arma de fogo e uma diminuição de 35 por cento em apreensões de armas em comparação com o ano passado …”

“Enquanto isso, houve mais de 72 disparos (um aumento de 218 por cento) e mais 10 assassinatos (um aumento de 125 por cento) do que durante o mesmo período no ano passado …”

Você acha que pode haver uma correlação entre o exagero da mídia, a resposta política, ausência de atitude do policial e o aumento no crime?

Finalmente, eu falei com um policial novato, muito agressivo, inteligente e motivado em um subúrbio de Chicago. Aqui está o seu pensamento:

“A mesma coisa está acontecendo em nosso departamento. Só temos alguns policiais que andam em carros de dois homens dentro do terreno. Eles foram identificados como sendo os agentes mais agressivos/proativos que temos e estou honrado por ter sido escolhido para trabalhar com esse grupo. Mas a verdade é que estamos a fazer menos. “

“Os policiais não chamam no rádio a maior parte de abordagens de trânsito na rua, porque eles não querem preencher esses relatórios de abordagem ou preencher duas páginas de papelada só porque eles achavam que deveriam falar com alguém que estava agindo de maneira suspeita,” ele disse. “Inferno, nos gasta metade da nossa noite na estação de trabalho só preenchendo esta papelada. Nós até temos que entregar às pessoas, recibos, após a abordagem, com o nosso nome, números de matrícula e números de telefone, para que eles possam reclamar depois, caso estejam insatisfeitos.

Como é esse trabalho?

“Temos recebido reclamações sem noção, mas os chefes, mesmo assim, ainda tem que nos investigar. Alguns policiais pensam que não vale a pena arriscar seu emprego, muitos simplesmente pararam. E não há nada que o supervisor possa fazer sobre isso. “

E este é agora o triste estado das coisas neste país.

Conclusão

A fim de ter um protagonista tem de haver um antagonista. Neste triste estado de coisas, os policiais são os maus e os criminosos são as vítimas.

Todos, desde o presidente ao editor local do jornal local cita a verdade sobre o crime: É assim desde 1990. Até agora.

Mas você pode descobrir por que? Porque há um número recorde de bandidos na prisão.

Agora queremos deixar essas almas incompreensivelmente perdidas de fora e, ao mesmo tempo, estamos a demonizar e algemar a polícia.

O que você acha, qual será o resultado final para a sociedade?

Bem, Senhoras e Senhores, estamos prestes a descobrir.

* Jim Glennon

Lt. Jim Glennon (ret.) is the owner and lead instructor for Calibre Press. He is a third-generation LEO, retired from the Lombard, Ill. PD after 29 years of service. Rising to the rank of lieutenant, he commanded both patrol and the Investigations Unit. In 1998, he was selected as the first Commander of Investigations for the newly formed DuPage County Major Crimes (Homicide) Task Force. He has a BA in Psychology, a Masters in Law Enforcement Justice Administration, is the author of the book Arresting Communication: Essential Interaction Skills for Law Enforcement.

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Não há dia fácil, no BOpE também!

O lançamento do livro Não Há dia Fácil, de Mark Owen[2], que também descreve a formação, treinamento, seleção e a vida dos integrantes da equipe verde do SEALS[3] americano, conduziu a nós, operações especiais a refletir diversas coisas a respeito de nosso processo de treinamento e seleção, para enfim, tornar-se um Caveira.

Em mim, essa reflexão ressurgiu a partir da leitura deste livro, pois é um sentimento que nasceu realmente desde a leitura de um livro escrito por outro autor, Chris McNab[4], que conheci através da indicação de um colega, Renato Paim, Oficial da Instituição, creio que ainda no ano 2000. Outros livros se seguiram após este e com isso, a oportunidade de comparar e aprimorar nossa capacidade, seja de operação ou na formação de outros profissionais.

As reflexões a que me refiro incidem diretamente no nosso processo de seleção e treinamento principalmente, pois nossas atividades e local de trabalho diferem daqueles profissionais. Será que estamos realmente na direção certa? Mesmo com toda a boa vontade? Obviamente nossas questões logísticas estão muito atrás do que retratam os livros e os filmes, pois não temos condições ainda de ter uma lanterna em cada mochila, um fuzil customizado; em algumas épocas nem fuzil tínhamos e imagine ter um painel, onde está escrito, acima da porta de nossa reserva de material, uma frase como essa: “você sonha, a gente realiza”. Paraíso!

E voltando à leitura dos diversos livros, quando o assunto é operações especiais, temos no conteúdo ou um romance exagerado, retratando como foi difícil completar uma missão, o desespero e sofrimento quando da morte de membros de uma equipe nas missões ou então sobre os desdobramentos e considerações políticas das diversas operações especiais, mas sempre levando-se em conta o lado romancista da estória.

O mistério do curso.

Pouco se escreve sobre treinamento e seleção, existe ainda um manto, justificável(?) de mistério, onde as instituições mantém em segredo a forma como formam seus homens de força e honra. Até mesmo nas conversas com nossos colegas de diversas unidades percebemos aquele ar de segredo a respeito de como são formadas estas pessoas para as diversas atividades especiais. Existe, além do mistério, uma guerra de vaidades, onde cada um, pelo que me parece, faz questão de declarar que sua etapa de formação foi a mais cruel. Chega a ser engraçado. Uma marcha de 10 km, tornam-se 100 km, 7 dias, tornam-se facilmente  15 dias sem água, descanso ou comida e assim por diante.

Os dois livros que mencionei citam muita coisa sobre o processo de treinamento de operadores. No livro de McNab incialmente, uma observação bem interessante, que versa sobre a personalidade do homem que veio participar dos primeiros treinamentos e de toda a sua origem, ou seja, o homem vinha do campo. E por conta desta origem, já acostumado com a ausência de conforto, o treinamento incluía meios mais difíceis e digamos assim, mais cruéis para preparação de seus profissionais. Eu brinco com meus colegas e chamo essa época de tempos românticos.

Com o passar dos anos, o próprio autor menciona a alteração nos homens que se interessaram pelo treinamento e com isso, a exigência de que o método de seleção também se alterasse. Não possuem mais tripas de porco apodrecida em campos de rastejo, o que era comum tempos atrás, este é apenas um pequeno exemplo. Outro ponto a considerar, foi que anos atrás, a tecnologia não era presente nestas ações e hoje, praticamente somos dependentes dela para cumprir  as nossas missões, não podemos negar isso. A geração vídeo game veio com força, mudou a forma como iremos trabalhar nossos candidatos.

A leitura de Mark Owen me deixou ainda com um boa expectativa, principalmente no que diz respeito ao modelo do processo de seleção e treinamento que realizamos no COESP[5].  O que mais me chamou a atenção foi a época em que tudo se passa no livro, primeira década do ano 2000, mais precisamente nos anos 2001 a 2009, estes são os anos das atividades citadas no livro. Sem contar que o autor ingressa nas atividades de operações especiais em 1998, um ano antes de mim. Conclusão, o livro é recente e atual no que diz respeito a todo tipo de atividade, desde o treinamento básico à conclusão da missão mais difícil.

Na leitura pude notar as explicações do autor para a forma como os instrutores “preparavam“ seus alunos para provas diversas ou para simples treinamento considerados de rotina. Desde simples exercícios físicos realizados repetidamente até o esgotamento, além da prática de empurrar veículos à noite toda por um pátio asfaltado, e outros, tudo isso com o objetivo de reproduzir o desgaste do ambiente real de combate.

O ambiente de combate reproduzido.

O autor enfatiza diversas vezes e com veemência, de que é impossível reproduzir o ambiente de combate e justifica com isso a quantidade e até mesmo a intensidade dos exercícios físicos, bem como o nível de criatividade dos instrutores em dificultar a vida dos operadores e candidatos a operadores.

O foco de todo treinamento é a missão. E todo tipo de dificuldade é imposta com o objetivo de medir a capacidade do operador em se superar e manter seu status técnico, físico e mental, principalmente após a realização atividades desgastantes.

O mais impressionante é que da mesma forma que possuem material para trabalhar, possuem material para treinar, treinar e treinar. Não há limites logísticos quando o objetivo final seja salvar vidas ou mantê-los devidamente treinados para que não sejam alvos fáceis para um qualquer. Na nossa realidade brasileira, ainda necessitamos mudar, e não é um pouco, precisamos mudar e muito. O orçamento é baixo e as possibilidades  de aquisição são difíceis, em virtudes de nossas Leis e mercado para aquisições.

Conclusões.

E após ler estes pontos nestes livros, retornei minha mente ao meu treinamento inicial. Toda vez que xingava o então SGT[6] Delgado, o fazia porque não conseguia entender as razões de cada exercício que eu e outros tantos considerávamos sem necessidade, onde na verdade, tudo tinha um propósito, repito tudo tinha um propósito.

Em relação às formas de “preparar“ os homens para suas tarefas no treinamento básico, acredito que não estamos na direção errada, só nos falta estrutura e principalmente muito apoio logístico.

A força vontade nós temos, a coragem também, além de muito orgulho. O que nos motiva? Na verdade não sabemos ainda!

Ainda estamos em constante evolução, pois procuramos saber de onde viemos e estamos à procura de um ambiente favorável para a formação de nossos operadores especiais. Este ambiente esbarra em diversos obstáculos, no ego de diversas pessoas, inclusive o nosso – somos humanos também. Cada mudança é avaliada, inclusive com a participação de pessoas que passaram pelo grupo e estão fora dele, chamamos a isso de termômetro. Vem dando certo, pelo menos o que está sob nosso controle.

Saibam todos que a todo dia nos preocupamos com nossas obrigações institucionais, a de nunca envergonhar a nossa fé, nossa família ou os nossos camaradas e por isso sabemos muito bem, que por conta dessas cobranças morais, não há dia fácil no BOPE. Na verdade, nunca houve.

Força e Honra!

Carlos Eduardo Melo de Souza – Major QOPM[7]


[1] Batalhão de Operações Especiais.

[3] A sigla da unidade é derivada de sua capacidade em operar no mar (sea), no ar (air) e em terra (land).

[5] Curso de Operações Especiais.

[6] Sargento.

[7] Ingressou na PMDF em 1995, formado em Operações Especiais(1999), atirador policial de precisão(2005) e Operações Táticas(2006) pelo Comando de Operações Táticas – Polícia Federal. Investigador da ONU em Timor Leste – 2008-2009.

Baixe este arquivo aqui: Não há dia fácil no BOPE.

Treinamento on line – atiradores ativos

Neste link encontra-se disponível um treinamento on line, em inglês, para situações como aquela que aconteceu no Rio de janeiro, na Escola Municipal Tasso da Silveira.

Acesse aqui

 Situações violentas e incomuns, que apanham despreparadas, policiais, autoridades e principalmente, as vítimas.

Força e Honra!

Curso de Operações Especiais – Como se tornar um Caveira!

Esse treinamento, chamado através de sua forma abreviada de COEsp, que dura aproximadamente dezesseis semanas, em Brasília o curso é realizado com uma carga horária aproximada de 1164 horas/aula e preparou a grande maioria dos integrantes da Companhia de Operações Especiais, mas também formou policiais de outros Estados do Brasil, assim como outros integrantes da Unidade foram formados por várias organizações policiais e militares do Brasil e exterior.

O Objetivo do COEsp é capacitar policiais militares (Oficiais e Praças) para o desempenho de missões que exijam especializações e doutrinas relativas às atividades das Operações Policiais Especiais.

As 16 semanas letivas são divididas em fases administrativas que visam a adequação do candidato à rotina do curso. Na fase administrativa, alguns conceitos básicos são repassados a esses policiais, para que eles não iniciem o treinamento carente de alguma habilidade importante que possa eliminá-lo do processo, por exemplo, higiene de campanha, primeiros socorros, acondicionamento de material, topografia, orientação básica e palestras diversas relativas à Teoria das Operações Especiais no mundo.

É um processo de seleção e treinamento, devido suas características de funcionamento. Segundo Chiavenato (2004, p.165), a seleção é o conjunto de procedimentos que visa atrair candidatos potencialmente qualificados e capazes de ocupar posições dentro da organização.

Conforme Marras (2001, p. 145), treinamento é um processo de assimilação cultural a curto prazo, que objetiva repassar ou reciclar conhecimento, habilidades ou atitudes relacionadas diretamente à execução de tarefas ou à sua otimização no trabalho. Já para Minicucci (1995, p. 182), o treinamento pode ser considerado um esforço planejado, organizado, especialmente projetado para auxiliar os indivíduos a desenvolverem suas capacidades.

Esse curso consiste em uma preparação e orientação dos candidatos aos trabalhos específicos da COE, sendo utilizado como um instrumento auxiliar da seleção, que traz como principal vantagem a observação de profissionais mais capacitados. É um treinamento que pode ser chamado de treinamento seletivo, aplicado depois de uma primeira seleção e aliado a uma posterior avaliação dos policiais candidatos, sendo esta uma segunda seleção dentro do mesmo processo, potencializando as chances de se realizar uma boa seleção.

Ao término do curso, momento em que recebeu as informações necessárias ao desempenho de funções, o policial estará habilitado para integrar e realizar as atividades de operações especiais na PMDF ou em sua Instituição de origem.

Processo de seleção

O processo de seleção para o Curso de Operações Especiais é divido em três fases: Exame de Saúde, Teste  Físico e Exame Psicológico e todas as fases tem caráter eliminatório como o exposto a seguir.

Exame de saúde

Os Candidatos interessados em participar de uma edição do COEsp devem apresentar os exames de saúde em duas etapas distintas, para serem considerados inscritos e poder iniciar o curso.

A finalidade dessa etapa é a verificação do estado geral de saúde do candidato, uma vez que estará submetido a intempéries e exigências físicas.

Uma excelente condição de saúde é fundamental para sustentar as dificuldades do treinamento, pois naturalmente o corpo ficará debilitado devido as dificuldades do curso. Caso algum problema venha a ser identificado durante o exame de saúde, o policial não poderá iniciar o treinamento seletivo, para não expor ao risco a própria vida.

Primeira etapa

O candidato deve apresentar, no ato da inscrição, a Carteira de Saúde com o exame de bienal[1] em dia, juntamente com um atestado de saúde recente, constando que o candidato encontra-se apto para a realização do teste físico.

Segunda etapa

Os candidatos que porventura forem aprovados na primeira etapa do exame de saúde, deverão apresentar os exames complementares.

Os exames exigidos nessa fase são: exame otológico e audiométrico;  exames laboratoriais, tais como, hemograma completo, HIV inclusive, glicose e radiografia do pulmão. Os exames complementares são entregues após a realização do exame psicológico.

Teste físico

Os índices especificados para o teste físico configuram como o mínimo exigido para que o candidato seja considerado aprovado e que possa fazer parte do processo de seleção e treinamento, sendo que nos exercícios de flexão de barra, flexão de braço, abdominal, salto em distância, corrida e natação, são atribuídas classificações aos aprovados a partir do candidato que alçar os melhores índices, para não ocorrer empates e possíveis eliminações de candidatos de forma injusta. Nos exercícios de subida na corda, salto em altura e flutuação(fardado e de coturno – 30min), os candidatos são considerados somente “aptos” ou “inaptos”.

O teste seletivo tem caráter eliminatório e em caso de empate dentro das vagas previstas, o critério adotado para o desempate é o da antigüidade de posto e graduação. Os civis são considerados como mais modernos em relação a militares.

Quadro nº 1 –  Índices do teste de aptidão física – COEsp.

PONTOS Natação200 m Corrida Rústica 8km Abdominal Flexão de Braço em Barra Fixa Flexão de Braço Salto em Distância (metros)
60 5’00” 50’ 48 10 35 4,00
62 4’50” 49’ 50 11 38 4,10
64 4’40” 48’ 52 12 41 4,20
66 4’30” 47’ 54 13 44 4,40
68 4’20” 46’ 56 14 47 4,50
70 4’10” 45’ 58 15 50 4,60
72 4’00” 44’ 60 16 53 4,70
74 3’50” 43’ 62 17 56 4,80
76 3’40” 42’ 64 18 59 4,90
78 3’30” 41’ 66 19 62 5,00
80 3’20” 40’ 68 20 65 5,10
82 3’10” 39’ 70 21 68 5,20
84 3’00” 38’ 72 22 71 5,30
86 2’50” 37’ 74 23 74 5,40
88 2’40” 36’ 76 24 77 5,50
90 2’35” 35’ 78 25 80 5,60
92 2’30” 34’ 80 26 83 5,70
94 2’25” 33’ 82 27 86 5,80
96 2’20” 32’ 90 28 90 5,90
98 2’15” 31’ 95 29 95 6,00
100 2’10” 30’ 100 30 100 6,10

Fonte: Plano de Curso 5º COESP (2008).

Exame psicológico

O Exame de aptidão psicológica, que também possui caráter eliminatório, é, via de regra, realizado sob a coordenação do CASO/PMDF e tem por finalidade distinguir, dentre os candidatos, os policiais que não apresenta um perfil de trabalho dentro do perfil profissiográfico previsto para a unidade, produzido através do trabalho da psicóloga Ana Lidia Gomes Gama – CRP 6260-01.

E de acordo com item 2.6.2, anexo “A“, do estudo de situação para criação do Batalhão de Operações Policiais Especiais – BOPE, da Polícia Militar do Distrito Federal, o perfil profissiográfico desejado, agrega as seguintes características:

Agressividade controlada – restringir seu comportamento agressivo à necessidade da situação, conforme o prescrito nos procedimentos e doutrina. A agressividade deve ser utilizada como uma ferramenta, de forma consciente e livre de motivações do âmbito pessoal. Utilizar apenas o necessário para proteger a si, a Equipe e as vítimas.

Controle emocional – controlar suas emoções, como medo ou raiva, pautando suas ações pelas normas, procedimentos e doutrina. Separar problemas pessoais de problemas profissionais.

Disciplina consciente – antes de comportar-se, monitorar os diversos aspectos do ambiente físico e social, fazendo interpretações acuradas quanto ao que exige esse ambiente em termos de comportamento. Vasculhar seu repertório comportamental e emitir comportamentos considerados desejados, não necessariamente o que tem vontade ou o que seu estado emocional pede.

Espírito de Corpo – em situações de trabalho, cumprir o que foi acordado, usar de seus conhecimentos e habilidades para promover o bom desempenho e segurança de todos, tomar o sucesso do grupo como seu e vice-versa.

Flexibilidade – ter aptidão para resolver problemas, principalmente no plano lógico abstrato, ser dotado de poder de previsão e planejamento. Ter capacidade de descobrir os princípios subjacentes às mudanças sistemáticas, incluindo raciocínio indutivo e dedutivo.

Honestidade – ser uma pessoa conscienciosa acerca de questões relativas à moralidade, ética e valores. Dedicar-se ao trabalho e à produtividade, ter a sinceridade como principio básico.

Iniciativa – havendo um acionamento, colocar-se à disposição. Ao detectar problemas de qualquer natureza, comunicar-se da forma mais adequada à situação e/ou agir conforme os procedimentos prescritos e a doutrina. Dar cobertura(proteção) sempre que necessário, sem necessariamente esperar ordem. Agir prontamente, respeitando os procedimentos, autoridade e doutrina.

Lealdade – Imparcial em suas atitudes e mostrando fidelidade ao comando, eximindo-se do caráter pessoal em suas atividades diárias administrativas e operacionais.

Liderança – exercer influência natural sobre o grupo no que se refere à tomada de decisão. Discutir idéias abertamente, recebendo e fazendo críticas de maneira ponderada. Agir como um motivador do grupo em momentos difíceis.

Perseverança – resistência à frustração, manter-se em uma linha de atividade consistente mesmo após fracasso momentâneo ou retro alimentação negativa, utilizar-se de situações mal-sucedidas para aprender e aperfeiçoar-se, manter o ânimo mesmo diante do fracasso ou de tarefas que pareçam muito difíceis ou penosas.

Versatilidade – diante de situações novas ou mudanças na situação, propor novas formas de ação com os recursos disponíveis, de acordo com as normas e procedimentos ou conhecimentos técnicos, com eficiência e eficácia.

Alguns deve estar dizendo, mas estes são os mandamentos das operações especiais, sim, são! Mas é isto que procuramos em nosso policiais. Um conjunto destas características, que agreguem um profissional, vamos dizer assim: ideal!

Além destas características, procura-se profissionais que possuam ainda as seguintes características: autocrítica, comunicabilidade, discrição, dinamismo,  direção, meticulosidade, previsão, persuasão, perspicácia e sociabilidade.

A presença de candidatos de outras instituições é uma constante, todos os cursos tiveram praticamente a presença, seja de militares ou policiais de várias regiões do Brasil.

Os planos de curso, geralmente, sugerem as seguintes regras para a inscrição de profissionais de outras corporações, os seguintes parâmetros:

  • Os candidatos de outras Corporações devem apresentar todos os exames médicos especificados;
  • Independentemente  dos testes físicos realizados nas corporações de origem, caso forem exigidos, todos os candidatos de outras Instituições são submetidos aos testes físicos, de caráter eliminatório, contidos na tabela acima novamente, por motivos de segurança;
  • Pode ser dispensada a apresentação do Exame Psicológico aos candidatos de outras Corporações, este exame e verificação do perfil do policial ou profissional, ficará a cargo das Instituições de origem do candidato, por não possuírem vínculo operacional de trabalho com a PMDF.

E concluída essas etapas, o candidato inicia o referido treinamento, é matriculado no curso e passa a chamar-se a partir de então de aluno, momento em que recebe uma numeração de acordo com seu Posto ou Graduação.

O maior número de desistências ocorre nos primeiros dias, após a semana administrativa, no apelidado “módulo impossível”, com o desligamento aproximado de 45% dos inscritos, seja por problemas médicos ou pela ausência da vontade em continuar o treinamento.

Matérias do curso de operações especiais

A cada edição do Curso de Operações Especiais é feita uma avaliação das matérias do treinamento, para levantar que atividades novas tornaram-se interessantes a partir da época, adequando às novas tecnologias ou ainda, extraindo do currículo do curso, aquela atividade que não agrega valor técnico para atividade.

Em edições passadas, os alunos recebiam treinamento em cavalaria, que foi eliminada para aproveitamento da carga horária em outras matérias mais interessantes, como tiro, explosivos, gerenciamento de crises e direitos humanos.

As inovações tecnológicas também tem influenciado na inclusão de algumas matérias que até então não faziam parte do currículo, como é o caso da matéria informática aplicada à atividade de operações especiais, onde os policiais aprendem a utilizar os recursos tecnológicos disponíveis nas ocorrências policiais de forma eficiente.

A seguir temos uma tabela com as matérias do curso e a respectiva carga horária.

Quadro nº 2 – Matérias do COEsp e carga-horária.

Área de Ensino Nº de Ordem Matérias Carga Horária
Profissional
01 Teoria das Operações Especiais 12
02 Socorros de Urgência e Ofidismo 48
03 Instrução Tática e Individual 60
04 Patrulha Policial 54
05 Sobrevivência no Cerrado 48
06 Topografia e Orientação 36
07 Técnicas Verticais 72
08 Treinamento Físico Específico 54
09 Combate Corpo a Corpo 54
Profissional 10 Armamento e Munição 36
11 Técnicas Especiais de Tiro 48
12 Inteligência Policial 12
13 Comunicações 12
14 Direitos Humanos 12
15 Operações Químicas 30
16 Atirador Policial de Precisão 36
17 Informática aplicada a atividade de operações especiais 12
18 Salvamento Aquático 36
19 Patrulhamento Tático e Abordagem 24
20 Combate a Incêndios 12
21 Operações Subaquáticas 36
22 Gerenciamento de Crises 24
23 Ações Táticas Especiais 84
24 Técnicas de Negociação 36
25 Ações Antibomba e Contrabomba 42
26 Segurança de Dignitários 48
27 Operações Helitransportadas 36
28 Pára-quedismo Operacional 24
29 Operações de Choque 18
30 Operações com cães 12
Soma da área de Ensino Profissional 1068
Atividades Complementares 01 À Disposição da Coordenação 96
Soma da área de Atividades Complementares 96
SOMA DA CARGA LETIVA TOTAL 1164

Fonte: Plano de Curso 5º COEsp/PMDF (2008).

Fases do curso de operações especiais

No decorrer das dezesseis semanas, o aluno do COEsp irá encarar as três  distintas fases em que o curso está dividido:

–        A fase rústica;

–        A fase policial; e

–        A fase técnica.

E visando esclarecer, de forma bem objetiva o que compreende cada uma das fases, será apresentado adiante um esquema com as matérias abordadas em cada momento do curso.

Fase rústica

A fase rústica tem por objetivo trabalhar o lado intuitivo e o emocional no policial.  Nesta fase, o aluno deve procurar saber e conhecer como o frio, o medo, fome, calor e cansaço atuam em sua mente e no seu corpo. É a fase na qual irá  conhecer suas fraquezas e deverá aprender a controlá-las.

O aluno deve ter noção do seu limite físico e psicológico, deve aprender a superar a dor e o cansaço físico, com foco na resiliência, importante para as outras atividades.

A coordenação vai verificar como o grupo se comporta diante das dificuldades. E aqui existe a preparação do homem fisicamente e emocionalmente para recebimento da bagagem técnica.

O interessante dessa fase é a percepção, por parte da coordenação, do desenvolvimento psicológico que o policial apresenta e as formas de como supera as dificuldades das tarefas impostas, ultrapassando seus limites físicos e psicológicos.

Nessa etapa, alguns exercícios que exijam desempenho intelectual, principalmente em assuntos relacionados a planejamento de operações e emprego tático de pessoal, além da avaliação correta de como atuar em qualquer ambiente.

A fase seguinte, a fase policial, aproveita as características da fase rústica, preparando o aluno para a próxima fase.

Na fase policial serão enfatizadas as qualidades pessoais bem como habilidades e atividades que exijam uma boa coordenação motora.

Continua…


[1] Exame médico obrigatório aos Policiais Militares da ativa da PMDF, deve ser realizado de dois em dois anos, mas aos Policiais acima de 40 anos passa a ser realizado de ano em ano. Outras instituições possuem avaliações semelhantes.

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