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O coldre nosso de cada dia – Parte III.

Olá a todos!

Algum tempo sem escrever, ok!

Não vou inserir minhas desculpas, mas 2013 e 2014 foi interessante, vamos ver o que 2015 irá me oferecer. Tive excelentes oportunidades de crescer, profissionalmente e como pessoa também.

Tenho aprendido com tudo e percebo que ainda falta muito para…para…deixa prá lá! (deixemos o drama de lado!).

Em 2014, tive a oportunidade de participar na condição de ouvinte, numa palestra ministrada por um policial militar da Paraíba. O assunto: segurança pessoal e sequestros.

 O mais interessante antes de tudo, o colega tinha sido vítima numa situação, contra três meliantes, que ao final, (ele) matou um, feriu outro e prendeu o terceiro. Estava de serviço, armado, sozinho, em área pública, pela manhã.

A riqueza de detalhes em sua palestra me fez refletir sobre alguns pontos a respeito do porte de uma arma de fogo.

Nosso palestrante portava uma arma de fogo, sem coldre, na cintura, ao lado direito do corpo.

Sua narração iniciou pela abordagem dos bandidos, arma em punho, mandando entrar no carro. Logicamente, obedeceu. O detalhe, ele foi revistado ainda fora do carro, a arma estava em seu lado direito, os meliantes não notaram. Nosso colega teve que sentar no banco traseiro, logo atrás do banco do carona.

A tensão inicial para todos, sendo questionado sobre cartões, senhas, etc., nosso colega cedeu à conversa e forneceu os dados solicitados, porém, no momento desta narração, na palestra, ele reforçou a manutenção do controle mental, sem se desesperar.

Já na frente do banco, um dos assaltantes entra no estabelecimento bancário, e dois permanecem com a vítima, um no banco do carona na frente e outro ao seu lado no banco de trás, com arma em punho, sempre ameaçando o colega.

Na sequência, o assaltante ao lado de nosso colega, inicia uma conversa, momento em que pega um abrigo esportivo atrás do banco (no local onde geralmente ficam as caixas de som – no tampão) e a levanta para ver o que estava escrito na blusa, criando uma barreira entre nosso colega PM armado e ele. Exatamente nesta hora, nosso colega saca sua arma e atira através da blusa, acerta ainda alguns tiros no bandido à sua frente e retorna a visão para o marginal atingido inicialmente.

Os disparos acertaram os olhos do meliante ao seu lado, o  cegando, já o outro, no banco da frente, morreu devido a sequência de disparos.

Nosso colega ainda foi ao banco, prender o terceiro. Essa parte também é interessante, mas termina com a prisão deste marginal dentro do banco mesmo.

Mas camarada, o que tem a ver o coldre nosso de cada dia.

Muito bem, as minhas reflexões neste dia, avaliaram o seguinte:

  • nem sempre, utilizar um coldre ou um excelente coldre, vai te garantir sucesso no emprego de arma de fogo, se nosso colega estivesse usando um, ao ser revistado, seria notado (ou não!);
  • Analisando ocorrências do mesmo tipo, nos diversos casos, profissionais estavam sem coldre, uns sucederam, outros não, morreram;
  • Mas finalmente, o que garantiu sucesso nas situações similares a essa foi a JANELA DE OPORTUNIDADE.
  • Reagir e ter sucesso tem a ver com a janela de oportunidade.

Onde eu quero chegar realmente, que ao longo desta década, a utilização de coldres vem mudando, e cada pessoa deve escolher aquele que lhe permite sacar com mais velocidade.

Não existe mais o porte melhor ou pior, pode ser considerado o menos conveniente para aquela situação, porém, a partir do momento que funciona adequadamente, passa a ser a opção mais adequada.

Nos anos 90, aprendíamos a usar armas na posição de 3 horas, 4 horas, 6 horas, mas nunca na frente. O coldre subaxilar era completamente não recomendado, atualmente, colegas ciclistas utilizam bastante aqui na Capital do Brasil, com uma arma de pequeno volume, mas sem malha apertada.

Como o próprio ser humano evoluiu, as técnicas se adaptaram à realidade, cabe a cada um definir o mais adequado para a situação e baseado nas suas experiências e na do colega, trate de manter a calma, trabalhar a mente, visualizar o combate, visualizar (você mesmo) vencendo o combate, com uma preparação mental adequada e positiva.

 

Força e Honra! 

Veja isso, com vídeo (not a sponsor):

http://www.tacticalholsters.com/product/INCOG.html

https://recargatatica.wordpress.com/2012/10/09/o-coldre-nosso-de-cada-dia-parte-ii/

https://recargatatica.wordpress.com/2010/05/06/o-coldre-nosso-de-cada-dia/

 

 

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Recarga Tática – 2013 in review

O ano de 2012 foi melhor, com mais publicações e interações.

2013 foi um ano difícil para mim, em diversos aspectos, acredito que por isso, não dei tanta atenção o Blog, mas espero em 2014 publicar mais.

Igualmente aos anos anteriores, o assunto COESP foi o mais visitado e que teve mais perguntas e interações. O que posso dizer neste momento é o curso vai mudar, consideravelmente.

Acesse abaixo o relatório anual do Blog.

Feliz ano novo, com Força e Honra!

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The concert hall at the Sydney Opera House holds 2,700 people. This blog was viewed about 25,000 times in 2013. If it were a concert at Sydney Opera House, it would take about 9 sold-out performances for that many people to see it.

Click here to see the complete report.

Um pouco mais sobre cães pastores, ovelhas e lobos.

Cães Pastores, Ovelhas e Lobos

Dave Grossman, Ten Cel Ranger – Autor de “On Killing”

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Um veterano do Vietnã, um velho Coronel da Reserva, certa vez me disse: “A maioria das pessoas em nossa sociedade são ovelhas. Eles são criaturas produtivas, gentis, amáveis, que só machucam umas às outras por acidente.”

Isso é verdade. Lembre que a taxa de assassinatos é de 6 por 100.000, por ano, e a taxa de agressões sérias é de 4 por 1000, por ano. O que isso significa é que a esmagadora maioria dos norte-americanos não é inclinada a machucarem uns aos outros. Algumas estimativas dizem que dois milhões de americanos são vítimas de crimes violentos todo ano. Um número trágico, assustador, talvez um recorde em matéria de crimes violentos. Mas existem quase 300 milhões de americanos, o que significa que a chance de ser vítima de um crime violento ainda é consideravelmente menor que uma em cem, em qualquer ano. Ainda, como muitos dos crimes violentos são praticados pelas mesmas pessoas, o número real de cidadãos violentos é consideravelmente menor que dois milhões.

Há um paradoxo aí, e devemos pegar ambos os lados da situação: nós podemos estar vivendo a época mais violenta da história, mas a violência ainda é surpreendentemente rara. Isso é porque a maioria dos cidadãos são pessoas gentis e decentes que não são capazes de machucarem umas às outras, exceto por acidente ou sob provocação extrema. Elas são ovelhas. Eu não quero dizer nada negativo quando as chamo de ovelhas. Para mim a situação é como a de um ovo de passarinho. Na parte de dentro ele é gosmento e macio, mas algum dia ele se transformará em algo maravilhoso. Mas o ovo não pode sobreviver sem sua casca dura. Militares, policiais e outros guerreiros são como essa casca, e algum dia a civilização que eles protegem tornar-se-á algo maravilhoso. Por enquanto, ela precisa de guerreiros para protegê-la dos predadores.

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“E então há os lobos”, disse o velho Veterano de Guerra, “e os lobos alimentam-se das ovelhas sem perdão”. Você acredita que há lobos lá fora que irão se alimentar do rebanho sem perdão? É bom que você acredite. Há homens perversos nesse mundo que são capazes de coisas perversas. NO INSTANTE EM QUE VOCÊ ESQUECE DISSO, OU FINGE QUE ISSO NÃO É VERDADE, VOCÊ SE TORNA UMA OVELHA. NÃO HÁ SEGURANÇA NA NEGAÇÃO !

“E então há os Cães Pastores”, ele continuou, “e eu sou um Cão Pastor. Eu vivo para proteger o rebanho e confrontar o lobo.”

Se você não tem capacidade para a violência, então você é um saudável e produtivo cidadão, uma ovelha. Se você tem capacidade para a violência e não tem empatia por seus concidadãos, então você é um sociopata agressivo, um lobo. Mas, e se você tem capacidade para a violência e um amor profundo por seus conterrâneos? O que você tem então? Um Cão Pastor, um Guerreiro, alguém que anda no caminho do Herói. Alguém que pode entrar no coração da escuridão, dentro da fobia humana universal e sair de novo.

Deixe-me desenvolver o excelente modelo de ovelhas, lobos e cães daquele velho soldado. Nós sabemos que as ovelhas vivem em negação da realidade, e isso é o que as faz ovelhas. Elas não querem aceitar o fato de que há mal neste mundo. Elas podem aceitar o fato de que incêndios podem acontecer, e é por isso que elas querem extintores, sprinklers, alarmes e saídas de incêndio em tudo quanto é canto das escolas de seus filhos. Mas muitas delas ficam ultrajadas diante da idéia de colocar um Policial armado na escola de seus filhos. Nossos filhos são milhares de vezes mais suscetíveis a serem mortos ou seriamente feridos por violência escolar do que por fogo, mas a única resposta da ovelha para a possibilidade de violência é a negação. A idéia de que alguém venha matar ou ferir seus filhos é muito dura, então elas escolhem o caminho da negação.

As ovelhas geralmente não gostam dos Cães Pastores, nem de suas armas. Ele parece muito com o lobo. Ele tem dentes afiados e a capacidade para a violência. A diferença, no entanto, é que o Cão Pastor não deve, não pode e não irá nunca machucar as ovelhas. Qualquer Cão Pastor que intencionalmente machuque a ovelhinha será punido e removido. O mundo não pode funcionar de outra maneira, pelo menos não em uma democracia representativa ou em uma República como a nossa. Ainda assim, o Cão Pastor incomoda a ovelha. Ele é uma lembrança constante de que há lobos lá fora. As ovelhas prefeririam que ele não lhe dissesse para onde ir, não lhe desse multas e nem ficasse nas esquinas, com roupas camufladas e segurando um Fuzil. As ovelhas prefeririam que o Cão guardasse suas garras e dentes, se pintasse de branco e dissesse: “Béééééé”

Até que o lobo aparecesse. Aí o rebanho inteiro tenta desesperadamente esconder-se atrás de um único Cão !

Os estudantes, as vítimas, na escola de Columbine (EUA) eram adolescentes, grandes e durões. Sob circunstâncias ordinárias, eles nunca gastariam algum tempo de seu dia para dizer algo a um Policial. Eles não eram adolescentes ruins, eles simplesmente não teriam nada a dizer a um Policial. Quando a escola estava sob ataque, no entanto, e os times da SWAT estavam entrando nas salas e corredores, os Policiais tinham praticamente que arrancar os adolescentes que se agarravam às suas pernas, chorando. É assim que as ovelhinhas se sentem quanto a respeito de seus Cães Pastores quando o lobo está na porta.

Olhe o que aconteceu depois do 11 de setembro, quando o lobo bateu forte na porta. Lembram-se de como a América, mais do que nunca, sentiu-se diferente a respeito de seus Militares, Policiais e Bombeiros ? Lembram-se de quantas vezes ouviu-se a palavra Herói ?

Entendam que não há nada de moralmente superior em ser um Cão Pastor; é apenas aquilo que você escolhe ser. Entendam ainda que um Cão Pastor é uma criatura esquisita. Ele está sempre farejando o perímetro, latindo para coisas que fazem barulho durante a noite, e esperando ansiosamente por uma batalha. Os Cães jovens anseiam por uma batalha, é bom dizer. Os Cães velhos são mais espertos; mas ao ouvir o som das armas e perceberem que são necessários, eles se movem imediatamente, junto com os jovens. É aqui que as ovelhas e Cães pensam diferente. A ovelha faz de conta que o lobo nunca virá, mas o Cão vive por aquele dia. Depois dos ataques de 11 de setembro, a maior parte das ovelhas, isto é, a maioria dos cidadãos na América disse “Graças a Deus que eu não estava em um daqueles aviões”. Os Cães Pastores, os Guerreiros, disseram, “Meu Deus, eu gostaria de ter estado em um daqueles aviões. Talvez eu pudesse ter feito a diferença.” Quando você está verdadeiramente transformado em um Guerreiro, você quer estar lá. Você quer tentar fazer a diferença!

Não há nada de moralmente superior sobre o Cão, o Guerreiro, mas ele leva vantagem em uma coisa. Apenas uma. E essa vantagem é a de que ele é capaz de sobreviver em um ambiente ou situação que destrói 98% da população.

Houve uma pesquisa alguns anos atrás com indivíduos condenados por crimes violentos. Esses presos estavam encarcerados por sérios e predatórios atos de violência: Assaltos, estupros, assassinatos e assassinatos de policias. A GRANDE MAIORIA DISSE QUE ESCOLHIA SUAS VÍTIMAS PELA LINGUAGEM CORPORAL: ANDAR DESLEIXADO, COMPORTAMENTO PASSIVO E FALTA DE ATENÇÃO AO AMBIENTE. Eles escolhiam suas vítimas como os grandes felinos fazem na África, quando eles selecionam aquele que parece menos capaz de se defender. Algumas pessoas parecem destinadas a serem ovelhas e outras parecem ser geneticamente escolhidas para serem lobos ou Cães. Mas eu acredito que a maior parte das pessoas pode escolher qual dos dois elas querem ser, e eu estou orgulhoso de dizer que mais e mais americanos estão escolhendo ser Cães.

Sete meses depois do ataque de 11 de setembro, Todd Beamer foi homenageado em sua cidade natal, Cranbury, New Jersey. Todd, como vocês se lembram, era o homem no vôo 93, sobre a Pensilvânia, que ligou de seu celular para alertar um operador da United Airlines sobre o seqüestro. Quando ele soube que outros três aviões haviam sido usados como armas, Todd largou o telefone e disse as palavras “Let’s roll” o que as autoridades acreditam que tenha sido um sinal para os outros passageiros para confrontar os seqüestradores. Em uma hora, uma transformação ocorreu entre os passageiros – atletas, homens de negócios e pais – de ovelhas para Cães Pastores e juntos eles combateram os lobos, salvando um número indeterminado de vidas no chão.

Não há salvação para o homem honesto, a não ser esperar todo o mal possível dos homens ruins.” – Edmund Burke

Aqui é o ponto que eu gosto de enfatizar, especialmente para os milhares de Militares e Policiais para os quais falo todo ano. Na natureza, as ovelhas, as ovelhas de verdade, nascem assim. Cães nascem assim, bem como os lobos. Eles não têm uma chance. Mas você não é uma criatura. Você é um ser humano, e como tal pode ser o que quiser. É uma decisão moral consciente. Se você quer ser uma ovelha, então você pode ser uma ovelha e está tudo bem, mas você deve entender o preço a pagar. Quando o lobo vier, você e as pessoas que você ama morrerão se não houver um Guerreiro por perto para protegê-lo. Se você quer ser um lobo, tudo bem, mas os Pastores o caçarão e você não terá descanso, segurança, confiança ou amor. Mas se você quiser ser um Cão Pastor e andar no caminho do Guerreiro, então você deve tomar uma decisão consciente DIÁRIA de dedicar-se, equipar-se e preparar-se para aquele momento tóxico, corrosivo, quando o lobo vem bater em sua porta.

Quantos Policiais, por exemplo, levam armas para a Igreja? Elas estão bem escondidas em coldres de tornozelo, coldres de ombro, dentro dos cintos ou nas costas. A qualquer hora em que você estiver no culto ou na missa, há uma boa chance que um Policial na sua congregação esteja armado. Você nunca saberia se havia ou não um indivíduo assim em seu local de adoração, até que o lobo aparecesse para massacrar você e as pessoas que você ama. Eu estava treinando um grupo de Policiais no Texas e, durante o intervalo, um Policial perguntou a seu amigo se ele levava a arma para a igreja. O outro respondeu “Eu nunca vou desarmado à Igreja”. Eu perguntei por que ele tinha uma opinião tão firme a esse respeito, e ele me contou a respeito de um Policial que ele conhecia que esteve em um massacre em uma Igreja em Fort Worth, Texas, em 1999. Nesse incidente, uma pessoa desequilibrada mentalmente entrou na Igreja e abriu fogo, matando 14 pessoas. Ele disse que o Policial acreditava que ele podia ter salvo todas as vidas naquele dia se ele estivesse carregando sua arma. Seu próprio filho foi atingido, e tudo o que ele pôde fazer foi atirar-se sobre o corpo do garoto e esperar a morte. Aquele Policial me olhou nos olhos e disse: “Você tem idéia do quão difícil é viver consigo mesmo depois disso?”

Alguns ficariam horrorizados se soubessem que esse Policial estava armado na Igreja. Eles o chamariam de paranóico e provavelmente o admoestariam. Ainda assim, esses mesmo indivíduos ficariam enfurecidos e pediriam que “cabeças rolassem” se descobrissem que os air bags de seus carros estavam defeituosos, ou que os extintores de incêndio nas escolas de seus filhos não funcionavam. Eles podem aceitar o fato que fogo e acidentes de trânsito podem acontecer e que deve haver medidas de segurança contra eles.

A única resposta deles ao lobo, no entanto, é a negação, e, frequentemente, sua única resposta ao Cão Pastor é a chacota e o desdém. Mas o Cão Pastor pergunta silenciosamente a si mesmo: “Você tem idéia do quão duro seria viver consigo mesmo se seus entes queridos fossem atacados e mortos, e você ficasse ali impotente porque está despreparado para aquele dia?”

É a negação que transforma as pessoas em ovelhas. Ovelhas são psicologicamente destruídas pelo combate porque sua única defesa é a negação, que é contra-produtiva e destrutiva, resultando em medo, impotência e horror, quando o lobo aparece.

A negação mata você duas vezes. Mata uma, no momento da verdade, quando você não está fisicamente preparado: você não trouxe sua arma, não treinou. Sua única defesa era o pensamento positivo. Esperança não é uma estratégia. A negação te mata uma segunda vez porque mesmo que você sobreviva fisicamente, você fica psicologicamente destroçado pelo seu medo, impotência e horror na hora da verdade.

Gavin de Becker coloca dessa maneira em “Fear Less”, seu soberbo livro escrito após o 11 de Setembro, leitura requerida para qualquer um tentando entender a atual situação global: “… a negação pode ser sedutora, mas ela tem um efeito colateral insidioso. Apesar de toda a paz de espírito que aqueles que negam a realidade supostamente alcançam por dizerem que as coisas não são tão sérias assim, a queda que eles sofrem quando ficam cara a cara com a violência é muito mais perturbadora”. A negação é uma situação de “poupe agora, mas pague mais tarde”, uma enganação, um contrato escrito só em letras miúdas. A longo prazo, a pessoa que nega acaba conhecendo a verdade em algum nível.

Assim, o Guerreiro deve lutar para enfrentar a negação em todos os aspectos de sua vida, e preparar-se para o dia em que o mal chegará. Se você é um Guerreiro que é legalmente autorizado a carregar uma arma e você sai sem levar essa arma, então você se transforma em uma ovelha, fingindo que o homem mau não virá hoje. Ninguém pode estar ligado 24 horas por dia, 7 dias por semana, a vida inteira. Todos precisam de tempo de repouso.

Mas se você está autorizado a portar uma arma e você sai sem ela, respire fundo e diga para si mesmo: “Bééééééé…”

Essa história de ser uma ovelha ou um Cão Pastor não é uma questão de sim ou não. Não é um tudo ou nada. É uma questão de degraus, um continuum. De um lado está uma desprezível ovelha com a cabeça totalmente enfiada na terra, e no outro lado está o Guerreiro completo. Poucas pessoas insistem que estão completamente em um lado ou outro. A maioria de nós vive no meio termo. Desde 11 de Setembro, quase todos na América deram um passo acima nesse continuum, distanciando-se da negação. A ovelha deu alguns passos na direção de aceitar e apreciar seus Guerreiros, e os Guerreiros começaram a tratar seu trabalho com mais seriedade. O grau para o qual você se move nesse continuum, para longe da “ovelhice” e da negação, é o grau no qual você estará preparado para defender-se e a seus entes queridos, fisicamente e psicologicamente, na hora da verdade.

Este texto não é meu, recebi em minha caixa de email. Portanto, respeito a fonte.

Curso de Operações Policiais Especiais – 2013 – VIII COESP

Caveira

Foi publicado o Edital para o VIII Curso de Operações Policiais Especiais, que será realizado neste ano de 2013.

Temos apenas 30 vagas para policiais da PMDF e 5 vagas para outras Instituições, incluindo as estrangeiras. A ocupação destas vagas serão definidas pelos Exames de Saúde, Testes de Habilidades  Físicas Específicas e Toxicológico.

Todas as outras informações necessárias, bem como os demais requisitos para inscrição no curso podem ser acessados por este link: EDITAL Nº 001-2013 – DEEC VIII COESP.

Boa sorte aos candidatos!

Força e Honra!

Não há dia fácil, no BOpE também!

O lançamento do livro Não Há dia Fácil, de Mark Owen[2], que também descreve a formação, treinamento, seleção e a vida dos integrantes da equipe verde do SEALS[3] americano, conduziu a nós, operações especiais a refletir diversas coisas a respeito de nosso processo de treinamento e seleção, para enfim, tornar-se um Caveira.

Em mim, essa reflexão ressurgiu a partir da leitura deste livro, pois é um sentimento que nasceu realmente desde a leitura de um livro escrito por outro autor, Chris McNab[4], que conheci através da indicação de um colega, Renato Paim, Oficial da Instituição, creio que ainda no ano 2000. Outros livros se seguiram após este e com isso, a oportunidade de comparar e aprimorar nossa capacidade, seja de operação ou na formação de outros profissionais.

As reflexões a que me refiro incidem diretamente no nosso processo de seleção e treinamento principalmente, pois nossas atividades e local de trabalho diferem daqueles profissionais. Será que estamos realmente na direção certa? Mesmo com toda a boa vontade? Obviamente nossas questões logísticas estão muito atrás do que retratam os livros e os filmes, pois não temos condições ainda de ter uma lanterna em cada mochila, um fuzil customizado; em algumas épocas nem fuzil tínhamos e imagine ter um painel, onde está escrito, acima da porta de nossa reserva de material, uma frase como essa: “você sonha, a gente realiza”. Paraíso!

E voltando à leitura dos diversos livros, quando o assunto é operações especiais, temos no conteúdo ou um romance exagerado, retratando como foi difícil completar uma missão, o desespero e sofrimento quando da morte de membros de uma equipe nas missões ou então sobre os desdobramentos e considerações políticas das diversas operações especiais, mas sempre levando-se em conta o lado romancista da estória.

O mistério do curso.

Pouco se escreve sobre treinamento e seleção, existe ainda um manto, justificável(?) de mistério, onde as instituições mantém em segredo a forma como formam seus homens de força e honra. Até mesmo nas conversas com nossos colegas de diversas unidades percebemos aquele ar de segredo a respeito de como são formadas estas pessoas para as diversas atividades especiais. Existe, além do mistério, uma guerra de vaidades, onde cada um, pelo que me parece, faz questão de declarar que sua etapa de formação foi a mais cruel. Chega a ser engraçado. Uma marcha de 10 km, tornam-se 100 km, 7 dias, tornam-se facilmente  15 dias sem água, descanso ou comida e assim por diante.

Os dois livros que mencionei citam muita coisa sobre o processo de treinamento de operadores. No livro de McNab incialmente, uma observação bem interessante, que versa sobre a personalidade do homem que veio participar dos primeiros treinamentos e de toda a sua origem, ou seja, o homem vinha do campo. E por conta desta origem, já acostumado com a ausência de conforto, o treinamento incluía meios mais difíceis e digamos assim, mais cruéis para preparação de seus profissionais. Eu brinco com meus colegas e chamo essa época de tempos românticos.

Com o passar dos anos, o próprio autor menciona a alteração nos homens que se interessaram pelo treinamento e com isso, a exigência de que o método de seleção também se alterasse. Não possuem mais tripas de porco apodrecida em campos de rastejo, o que era comum tempos atrás, este é apenas um pequeno exemplo. Outro ponto a considerar, foi que anos atrás, a tecnologia não era presente nestas ações e hoje, praticamente somos dependentes dela para cumprir  as nossas missões, não podemos negar isso. A geração vídeo game veio com força, mudou a forma como iremos trabalhar nossos candidatos.

A leitura de Mark Owen me deixou ainda com um boa expectativa, principalmente no que diz respeito ao modelo do processo de seleção e treinamento que realizamos no COESP[5].  O que mais me chamou a atenção foi a época em que tudo se passa no livro, primeira década do ano 2000, mais precisamente nos anos 2001 a 2009, estes são os anos das atividades citadas no livro. Sem contar que o autor ingressa nas atividades de operações especiais em 1998, um ano antes de mim. Conclusão, o livro é recente e atual no que diz respeito a todo tipo de atividade, desde o treinamento básico à conclusão da missão mais difícil.

Na leitura pude notar as explicações do autor para a forma como os instrutores “preparavam“ seus alunos para provas diversas ou para simples treinamento considerados de rotina. Desde simples exercícios físicos realizados repetidamente até o esgotamento, além da prática de empurrar veículos à noite toda por um pátio asfaltado, e outros, tudo isso com o objetivo de reproduzir o desgaste do ambiente real de combate.

O ambiente de combate reproduzido.

O autor enfatiza diversas vezes e com veemência, de que é impossível reproduzir o ambiente de combate e justifica com isso a quantidade e até mesmo a intensidade dos exercícios físicos, bem como o nível de criatividade dos instrutores em dificultar a vida dos operadores e candidatos a operadores.

O foco de todo treinamento é a missão. E todo tipo de dificuldade é imposta com o objetivo de medir a capacidade do operador em se superar e manter seu status técnico, físico e mental, principalmente após a realização atividades desgastantes.

O mais impressionante é que da mesma forma que possuem material para trabalhar, possuem material para treinar, treinar e treinar. Não há limites logísticos quando o objetivo final seja salvar vidas ou mantê-los devidamente treinados para que não sejam alvos fáceis para um qualquer. Na nossa realidade brasileira, ainda necessitamos mudar, e não é um pouco, precisamos mudar e muito. O orçamento é baixo e as possibilidades  de aquisição são difíceis, em virtudes de nossas Leis e mercado para aquisições.

Conclusões.

E após ler estes pontos nestes livros, retornei minha mente ao meu treinamento inicial. Toda vez que xingava o então SGT[6] Delgado, o fazia porque não conseguia entender as razões de cada exercício que eu e outros tantos considerávamos sem necessidade, onde na verdade, tudo tinha um propósito, repito tudo tinha um propósito.

Em relação às formas de “preparar“ os homens para suas tarefas no treinamento básico, acredito que não estamos na direção errada, só nos falta estrutura e principalmente muito apoio logístico.

A força vontade nós temos, a coragem também, além de muito orgulho. O que nos motiva? Na verdade não sabemos ainda!

Ainda estamos em constante evolução, pois procuramos saber de onde viemos e estamos à procura de um ambiente favorável para a formação de nossos operadores especiais. Este ambiente esbarra em diversos obstáculos, no ego de diversas pessoas, inclusive o nosso – somos humanos também. Cada mudança é avaliada, inclusive com a participação de pessoas que passaram pelo grupo e estão fora dele, chamamos a isso de termômetro. Vem dando certo, pelo menos o que está sob nosso controle.

Saibam todos que a todo dia nos preocupamos com nossas obrigações institucionais, a de nunca envergonhar a nossa fé, nossa família ou os nossos camaradas e por isso sabemos muito bem, que por conta dessas cobranças morais, não há dia fácil no BOPE. Na verdade, nunca houve.

Força e Honra!

Carlos Eduardo Melo de Souza – Major QOPM[7]


[1] Batalhão de Operações Especiais.

[3] A sigla da unidade é derivada de sua capacidade em operar no mar (sea), no ar (air) e em terra (land).

[5] Curso de Operações Especiais.

[6] Sargento.

[7] Ingressou na PMDF em 1995, formado em Operações Especiais(1999), atirador policial de precisão(2005) e Operações Táticas(2006) pelo Comando de Operações Táticas – Polícia Federal. Investigador da ONU em Timor Leste – 2008-2009.

Baixe este arquivo aqui: Não há dia fácil no BOPE.

Review da 3ª Edição do Firearms guide – Guia de armas e Munições.

Imagem do produto

Com certeza você já deve ter procurado por algum modelo de arma ou calibre do seu interesse em sua ferramenta de busca na internet, certo?

Portanto, se você é um entusiasta de armas e munições ou profissional de segurança pública sugiro adquirir este DVD, que possui praticamente tudo sobre o que é relacionando a armamento e munições no mundo inteiro.

Alguns podem até dizer que podem fazer esta busca na própria internet mas da forma como é apresentado no DVD, duvido muito!!

Uma plataforma de busca e apresentação simples, direta e que pode ser utilizada nos sistemas operacionais Windows e Mac. Vale ressaltar que não há necessidade de instalação de programas no computador, o material roda diretamente do DVD, sem prejuízo da performance e do comprometimento de espaço em sua máquina, não necessita de serviço de internet para funcionar também.

Pagina Principal

A base de dados do DVD inclui mais de 55.000 modelos de armas, munições, bem como armas de pressão(ar comprimido), de um total de 500 fabricantes no mundo (Estados Unidos, Rússia, Ucrânia, Singapura, África do Sul, Israel, China, Bulgária, Brasil, Japão, Croácia e assim segue), com a possibilidade de realizar as pesquisas no DVD com 14 diferentes critérios, tais como, acabamento do cano, da armação, tipo e material da coronha, além de outros mais simples, como o comprimento do cano e o calibre, isso individualmente ou combinados entre si.

Página com diversos itens.

O DVD apresenta imagens em alta resolução, com preços direcionados para o mercado americano. Você pode dar zoom nas imagens para ver detalhes bem específicos e com qualidade da imagens, o que não é possível com livros ou fotos com baixa resolução num site. Há ainda uma seção para imprimir alvos, em torno de 500 modelos, bem como de esquemas com as especificação e vista explodida das armas.

Vista explodida das armas.

No conteúdo podemos ainda encontrar aproximadamente 5000 tipos de calibres diferentes, relacionados com as armas disponíveis, fornecendo informações sobre poder de parada e alcance com eficiência de pistolas, rifles e metralhadoras de todos os calibres, com seus tipos de pontas disponíveis, trajetória, energia e velocidades. Todas as armas possuem um link para todo tipo de munição utilizadas por elas, excelente, assim como do comportamento do calibre da arma.

Munição – exemplo.

Realmente, este é o mais extenso guia de referência em armas e munições no mundo.

Armas de diversos modelos e calibres.

Pode ser adquirido através do link http://www.firearmsmultimediaguide.com/index.php?option=com_content&view=article&id=23&Itemid=2

Bons estudos!

Força e Honra!

Como combater a arrogância

Por Stephen Kanitz

Muitos leitores perguntaram ao longo deste mês qual era a minha agenda oculta. Meus textos são normalmente transparentes, sou pró-família, pró-futura geração, pró-eficiência, pró-solidariedade humana e responsabilidade social. Mas, como todo escritor, tenho também uma agenda mais ou menos oculta. Sempre que posso dou uma alfinetada nas pessoas e nos profissionais arrogantes e prepotentes. É a reclamação mais freqüente de quem já discutiu com esses tecnocratas. Uma vez no governo, parece que ninguém mais ouve. Eles confundem ser donos do poder com ser donos da verdade. Fora do governo, continuam não ouvindo e, quando escrevem em revistas e jornais, é sempre o mesmo artigo: “Juro que eu nunca errei”. Toda nossa educação “superior” é voltada para falar coisas “certas”. Você só entra na faculdade se tiver as respostas “certas”. Você só passa de ano se estiver “certo”.

Aqueles com mestrado e Ph.D. acham equivocadamente que foram ungidos pela certeza infalível. Nosso sistema de ensino valoriza mais a certeza do que a dúvida. Valoriza mais os arrogantes do que os cientificamente humildes. É fácil identificar essas pessoas, elas jamais colocam seus e-mails ou endereços nos artigos e livros que escrevem. Para quê, se vocês, leitores, nada têm a contribuir? Elas nunca leram Karl Popper a mostrar que não existem verdades absolutas, somente hipóteses ainda não refutadas por alguém. Pessoalmente, não leio artigos de quem omite seu endereço ou e-mail. É perda de tempo. Se elas não ouvem ninguém, por que eu deveria ouvi-las ou lê-las? Todos nós deveríamos solenemente ignorá-las, até elas se tornarem mais humildes e menos arrogantes. Como não divulgam seus e-mails, ninguém contesta a prepotência de certas coisas que escrevem, o que aumenta ainda mais a arrogância dessas pessoas.

O ensino inglês e o americano privilegiam o feedback, termo que ainda não criamos em nossa língua – a obrigação de reagir à arrogância e à prepotência dos outros. Alguém precisa traduzir bullshit, que é dito na lata, sempre que alguém fala uma grande asneira. Recentemente, cinco famosos economistas brasileiros escreveram artigos diferentes, repetindo uma insolente frase de Keynes, afirmando que todos os empresários são “imbuídos de espírito animal”. Se esse insulto fosse usado para caracterizar mulheres, todos estariam hoje execrados ou banidos. “A proverbial arrogância de Larry Summers”, escreveu na semana passada Claudio de Moura e Castro, “lhe custou a presidência de Harvard.” Lá, os arrogantes são banidos, mas aqui ninguém nem sequer os contesta. Especialmente quando atacam o inimigo público número 1 deste país, o empreendedor e o pequeno empresário.

Minha mãe era inglesa, e dela aprendi a sempre dizer o que penso das pessoas com quem convivo, o que me causa enormes problemas sociais. Quantas vezes já fui repreendido por falar o que penso delas? “Não se faz isso no Brasil, você magoa as pessoas.” Existe uma cordialidade brasileira que supõe que preferimos nunca ser corrigidos de nossa ignorância por amigos e parentes, e continuar ignorantes para sempre. Constantemente recebo e-mails elogiando minha “coragem”, quando, para mim, dizer a verdade era uma obrigação de cidadania, um ato de amor, e não de discórdia.

O que me convenceu a mudar e até a mentir polidamente foi uma frase que espelha bem nossa cultura: “Você prefere ter sempre a razão ou prefere ter sempre amigos?”. Nem passa pela nossa cabeça que é possível criar uma sociedade em que se possa ter ambos. Meu único consolo é que os arrogantes e prepotentes deste país, pelo jeito, não têm amigos. Amigos que tenham a coragem de dizer a verdade, em vez dos puxa-sacos e acólitos que os rodeiam. Para melhorar este país, precisamos de pessoas que usem sua privilegiada inteligência para ouvir aqueles que as cercam, e não para enunciar as teorias que aprenderam na Sorbonne, Harvard ou Yale. Se você conhece um arrogante e prepotente, volte a ser seu amigo. Diga simplesmente o que você pensa, sem medo da inevitável retaliação. Um dia ele vai lhe agradecer.

Stephen Kanitz é administrador (www.kanitz.com.br)

Revista Veja, Editora Abril, edição 2036, ano 40, nº 47, 28 de novembro de 2007, página 22

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