Os sete hábitos de uma Instituição policial fracassada.

Nessa discussão não vou entrar em detalhes mas, mas…tanto problema. A falta de planejamento estratégicom e a ausência de um alinhamento estratégicom também deveria estar presentspes aqui, mas qual o motivo que me impedem de citá-los neste texto? Vou responder: porque são comuns! Citei aqui apenas os hábitos que geralmente não são valorizados na nossa Instituição. Há quem discorde… Por que será?
Vamos em frente.

1. Servir ao cliente errado.
O primeiro cliente para um Comandante deve ser o policial que está na rua, na viatura, à pé ou montado, não interessa. Se este policiais tratarem os cidadãos da mesma forma que os Comandantes tratam seus subordinados, o que resta desta fórmula serão reclamações em todos os sentidos. Respeito e comunicação com os integrantes da Unidade gera as mesmas atitudes nas ruas. Se você quer policiais que se preocupem com cidadāos, precisaremos de Comandantes que se preocupem com seus policiais.

2. O policiamento comunitário teatral.
Os Comandantes sāo forçados a fazer algo para o qual não estavam preparados ou que  não concordam. Coisas do tipo: “são ordens superiores, cumpra”, geralmente sem base estratégica.

O policiamento comunitário original envolve toda uma discussão dos problemas locais com a comunidade e policiais de linha, devidamente envolvidos com a filosofia,  apoiados ainda por pesquisas e empoderamento discretos, que são fundamentais para o sucesso deste policiamento.

Relações públicas, prevenção de crimes e reuniões comunitárias não são considerados exclusivamente policiamento comunitário mas geralmente substituem o trabalho duro da comunicação e colaboração que a comunidade ainda deve exercitar e ser incentivada a executar.

3. Integridade abandonada.
Algumas Unidades assumem “de boca apenas” a tarja da delinquência policial e não possuem confiança no profissionalismo de seus integrantes, na mesma direção, segue aquela Unidade que não possui nenhum tipo de controle sobre os policiais ou que não possui nenhum política de mudança de sua própria imagem, pelo menos para manter a frágil integridade que deveria existir.
Isto tudo inclui o trabalho com evidências, dinheiro relacionado com crimes, trabalho com jovens, drogas, trânsito e regras diversas para atendimento de ocorrências.
Monitorar o comportamento dos policiais serve para manter a disciplina e realizar uma identificação prematura de desvio de conduta, nestes casos, pode-se identificar os bons comportamentos também, dignos de elogios, que  após externados, encorajam ainda mais a integridade.

4. Treinamento exótico.
A estratégia de treinamento de uma Instituição policial fracassada é apresentada numa folha de caderno, um rascunho. A falta de foco na definição dos objetivos do treinamento favorece a aparição do treinamento do tipo exótico, por consequência, os policiais vão treinando aquilo que aparecer. Ė bacana oferecer treinamento especializado para motivar e manter os policiais interessados, mas enviar um policial para um curso de isolamento de local de crime com emprego de equipamentos de mergulho autônomo não faz sentido. Sem estabelecer qual a verdadeira necesidade das Unidades nunca existirá um plano de treinamento consistente e relevante.

5. Armadilhas camufladas
Unidades que não se preocupam com a saúde psicológica de seus policiais vão sofrer queda na produtividade e encurtamento na carreira, ou seja, aposentadoria prematura, elevados índices de afastamento por doenças ou ferimentos. Ignorar e encarar os eventos traumáticos simplesmente como “faz parte do trabalho” cria a sensação de ausência de proteção, que pode levar os policiais a uma erosão lenta de sua estrutura emocional.
Um serviço regular e preventivo para estes casos deveria ser tão importante quanto qualquer outro programa operacional que é planejado.

6. A linha de liderança abandonada.
A liderança requer o estabelecimento de manutenção, de cultura e tradição. Na ausência de senso de identidade, missão e propósitos, a partir dos Comandantes, cada policial vai criar o seu parãmetro de acordo com suas necessidades pessoais, conclusåo, cada um vai fazer força para um lado diferente. Policiais cínicos e individualistas podem dominar todo um grupo se não encontrarem símbolos positivos e ricos em qualidade. Uma linguagem informal dentro do grupo e tradições estabelecidas no seio deste grupo estebelecem líderes de valores positivos dignos de serem exemplos a serem seguidos.

7. Liderança individualista.
Alguns comandantes demoram a entender que eles não são as pessoas mais espertas do mundo sempre e falham em cultivar a inteligência e a influência nos seus Oficiais principalmente.
Idéias, devem genuinamente ser bem recebidas, disponíveis para consideração posterior e recompensadas quando forem implementadas por serem boas demais. Comandantes não gostam de dividir sua força, mas é essencial que eles dividam sua influência. Nem toda idéia é uma boa idéia, mas nem toda boa idéia vem do comando da Unidade. Se queres uma unidade fraca, comande com a política do medo, do medo que seus homens encarem o Comandante e discutam algo ou que seus policiais tenham medo em discutir algo, principalmente contrariando o Comandante.

Força e Honra!

Elaborado em dispositivo móvel, desconsidere os erros de digitação por gentileza

Mais em:

http://www.administracaoegestao.com.br/planejamento-estrategico/dificuldades-na-implementacao-da-estrategia/

http://www.clodomiro.xpg.com.br/e147.html

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About Carlos Melo

Especialista em Segurança Pública, formado pela Academia de Polícia Militar de Brasília (APMB, 1997). Exerceu cargo na Polícia da ONU (UNPOL) na Missão das Nações Unidas em Timor Leste(UNMIT -2008 e 2009), onde trabalhou em ações de investigador. Instrutor de alguns cursos na PMDF, dentre estes, do Curso de Operações Especiais, especialista em técnicas e táticas de resgate de reféns, tiro policial e gerenciamento de crises. Também ministrou palestra vários organismos públicos e privados, sobre ameaças de bomba e seqüestro relâmpago. Especialização Inteligência Estratégica e segurança da informação.

7 responses to “Os sete hábitos de uma Instituição policial fracassada.”

  1. Ribamar says :

    Carlos Melo,
    Interessante é o seu ponto de vista sobre os problemas estratégicos.
    Más o que mais me chamou a atenção é o de n° 6. Ora, qualquer instituição “abandonada” do ponto de vista do comando acontece justamente o que foi narrado acima. Policiais sem propósitos nenhum, olhando apenas para os seus problemas, querendo apenas melhorias e mais melhorias a seus modos. Percebo isso claramente na PMDF. Pessoas descompromissadas com o mínimo possível. Hoje vivi-se a política do “falta tantos anos pra eu aposentar”. O que pensar então do comportamento de seus subordinados? Falta comandantes e comandados líderes. Pois o líder é apenas seguido.
    Um forte abraço !

  2. Samira-SamNinfaLua says :

    Muito bom texto e contexto. Bom seria se a PM aproveitasse suas experiências e idéias. A Polícia Militar necessita urgente de uma “RECARGA TÁTICA” mesmo rs Abraços!

  3. Jean Carvalho says :

    Parabéns pelo texto e pela coragem. Quem dera tivéssemos mais funcionários públicos com essa iniciativa e liderança, não só na PM, mas nas outras esferas do poder público também.

    • Carlos Melo says :

      Caro Jean, e que nunca envergonhemos a nossa fé, a nossa família e os nossos camaradas!! Simplesmente por isso!
      E mais uma: Prometo pela minha honra, fazer o melhor possível e o restante você conhece bem.
      Força e Honra!

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